Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 08/05/2020
É evidente a crescente taxa de segregação das classes sociais no Brasil, sendo esta uma das mais altas em todo mundo. A problemática de segregação social é evidente desde o período pré-histórico, em que indivíduos que dominavam ferramentas exerciam poderio sobre quem somente dominava a força braçal, processo denominado materialismo histórico por Marx e Engels. Nesse âmbito, atualmente a segregação vem tornando-se um problema democrático visto a complexidade das sociedades e ao processo de formação histórico-social brasileiro. Portanto para que tal problemática atenue-se é preciso que novas medidas de integração social sejam instituídas.
Para Durkheim, as sociedades orgânicas atuais pautadas na divisão do trabalho acentuam o individualismo, tornando-as patológicas e anômicas. Nesse viés, a situação segregacionista brasileira atual é um óbice à democracia visto que o distanciamento social e a criação de espaços exclusivos para classes altas em detrimento as classes desfavorecidas criam abjunção em larga escala, opondo-se a Constituição, cujo artigo 5º garante estado de isonomia. Deste modo, é importante atentar-se para o grande distanciamento entre os direitos legais e os direitos de fato exercidos e desfrutados pelas sociedades periféricas.
Embora seja recente o rápido aumento de lugares camarotizados em todas as áreas da sociedade, a segregação econômico-social é um problema enraizado no processo de formação brasileiro. Analogamente, o modelo escravista brasileiro deixou sequelas, uma vez que após a promulgação da lei Áurea a sociedade recém livre encontrou empecilhos para integrar-se à sociedade nos estratos econômicos e regionais. Da mesma forma nos dias atuais, é possível observar os impactos dessa má-formação quando discute-se a ideia de capital proposta por Bourdieu, seja ele econômico, cultural, simbólico ou social e notando-se a discrepância de classes.
Destarte, para que a segregação e suas consequências sociais, econômicas e culturais atenuem-se é preciso que o Estado promova ações que permitam a maior integração social entre indivíduos de diferentes classes, como medidas que permitam o maior acesso e mobilidade das classes menos favorecidas a locais que vêm passando por processos de elitização, para que haja maior integração entre as classes de maneira econômica e cultural. Da mesma forma, é preciso que as mesmas entendam a importância de tal integração para a o exercício da democracia, e através de ações integrem-se, em oposição ao isolamento estratificado e exijam seus direitos de equidade. Dessa forma, será possível atenuar o processo segregacionista que vem crescendo celeremente e ordenar a sociedade em estado de anomia.