Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 13/05/2020

O romance naturalista O cortiço, de Aluísio de Azevedo, tem como cenário uma habitação coletiva voltada para abrigar as classes mais desfavorecidas, onde as condições sanitárias são precárias. A narrativa retrata as desigualdades sociais da época, com enfoque nos excluídos socialmente que apesar de habitarem o mesmo espaço urbano, estão literalmente às margens da alta sociedade, acentuando a segregação existente e evidenciando a ideia de que existem lugares diferentes para ricos e pobres. No entanto, tal cenário ainda é perceptível atualmente no Brasil, sendo de responsabilidade tanto dos cidadãos comuns, quanto do Poder Público. Nesse sentido, faz-se necessário analisar as principais causas que corroboram para que segregação das classes seja perpetuada em nossa sociedade.

É fato que a segregação social no Brasil tem raízes históricas. As políticas higienistas e excludentes propostas por Pereira Passos no século XX responsabilizavam os cortiços e habitações populares pela insalubridade do Rio de Janeiro. Como consequência da destruição de cortiços do centro da cidade e a especulação imobiliária, a população pobre foi obrigada a ocupar áreas de risco, que originariam futuramente as favelas brasileiras, e estariam cada vez mais distantes espacialmente e culturalmente da sociedade, marginalizados.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em 2017 os 10% mais ricos do Brasil detinham 43,3% da renda total do país. Em contrapartida, os 10% mais pobres detinham apenas 0,7% da renda total. Essa discrepância entre rendas influi diretamente no contexto da desigualdade social existente. Com a precariedade do sistema público de saúde e de educação, a classe privilegiada paga por melhores hospitais e escolas, enquanto o pobre muitas vezes não tem acesso ao mínimo oferecido pelo governo. Tem-se, portanto, a ideia de que o “público” é, na verdade, para classes desfavorecidas, enquanto etimologicamente deveria ser um bem comum.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o problema. O Ministério da Economia juntamente com o Ministério da Cidadania deve através de políticas públicas ampliar programas como o Minha Casa Minha Vida, construindo moradia digna, a fim de abrigar cidadãos em situação de vulnerabilidade socioeconômica. É também dever do Estado melhorar e construir mais hospitais e escolas, qualificar profissionais e fornecer equipamentos de trabalho e uma boa estrutura para essas instituições, a fim de que todos os cidadãos – independentemente da classe social – possam utilizá-los. Dessa forma, a segregação social existente será erradicada ou reduzida e o cenário descrito por Aluísio de Azevedo não será comum.