Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
Cunhado pelo prestigiado filósofo político americano Michael Sandel, o neologismo “camarotização”, está associado à ideia de segregação, vista pelo autor na separação entre mais e menos abastados em estádios e outros espaços de eventos, mas também em diferentes lugares na sociedade. Tal fato pode parecer inofensivo, mas na verdade esconde um grave problema da sociedade brasileira. A segregação das classes sociais que, além de contribuir para acentuar a desigualdade social, também evidencia preconceitos nocivos à população brasileira.
É relevante abordar, primeiramente, que o Brasil já ocupa a décima posição no ranking de países mais desiguais do mundo, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Logo, a população, ao querer se separar e construir mais barreiras entre as classes, agrava esse problema. Essa separação é movida pelo desejo das classes médias e altas de mostrar que não fazem parte da parcela pobre da população, que têm status e a presença em camarotes serve para atestar isso. Todavia, essa atitude prejudica o cenário social do país e faz as soluções dos problemas ficarem cada vez mais distantes, pois, como diz o geógrafo Milton Santos, “uma sociedade alienada enxerga o que separa, e não o que une seus membros”.
Além disso, cabe referenciar o sociólogo Max Weber, o qual dizia que, as classes sociais estão ligadas aos privilégios e prestígios, sendo uma forma de estratificação social e acredita que essas classes tendem a se manter estáveis ao longo de gerações, reproduzindo a desigualdade com as classes inferiores. Isso se torna evidente quando, quem mora na periferia já não conta com espaços de lazer em seu entorno, porque não existem parques, museus ou teatros nas favelas. Então, quando essa população consegue frequentar tais lugares, são separadas por “ambientes exclusivos”. Isso faz com que elas não se sintam pertencentes àqueles lugares, traz constrangimento e perpetua preconceitos.
Fica claro, portanto, que se trata de um problema social que alimenta aspectos negativos da realidade brasileira. Para amenizar as consequências da segregação das classes sociais no Brasil, o Ministério da Cultura deve promover eventos públicos como festivais, shows e exposições e proibir neles espaços cercados ou separados de forma a não “glamourizar” a segregação, a fim de promover a integração das classes. Dessa maneira, figuras como o “rei do camarote”, não serão ícones de admiração e as pessoas verão que buscar a integração é muito mais benéfico do que se fecharem em seus próprios grupos.