Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 13/05/2020
A França, no período que antecede à Revolução Francesa, era uma estado governado por uma nobreza residente no luxuoso “Palácio de Versalhes”,que ficava a 40 km de Paris, cidade popular em que a massa da população vivia em condições de miséria e pobreza. Mesmo hoje, numa sociedade democrata, defensora da igualdade de direitos e da participação política de seus cidadãos, tal fenômeno de segregação das classes sociais no Brasil está vigente. Isso se deve, sobretudo, à sua raiz histórica e à busca de estratégias de mercado por parte de empresas.
Em primeiro lugar, a presença de uma sociedade segregada no Brasil se deve à permanência do caráter dominador em que ocorreu sua formação. Desde a chegada do portugueses ao território brasileiro, estes se posicionaram como superiores diante dos nativos e, mais tarde, dos negros africanos. Mesmo pós-abolição, sentimentos de não pertencimento entre indivíduos de diferentes raças permaneceu e entrou também no âmbito monetário, visto que a humanidade passou a classificar pessoas com base na sua riqueza. De modo que, diferentes camadas sociais costumam não ter muito relações umas com outras devido suas escolhas pessoais de conviver com seus “iguais”, não se sentindo confortável diante de pessoas “diferentes”.
Outrossim, o advento do capitalismo e a busca pelo lucro faz com que empresas busquem estratégias a fim de garantir ganhos cada vez maiores. Com esse fim, criam produtos, eventos exclusivos e locais, como alas VIP’s e camarotes, com preços não acessíveis para a grande parte da população. Todavia, aqueles com condições aderem ao que é oferecido, mesmo não sendo necessário para sua sobrevivência, a fim de assegurar sua “hegemonia” sobre os que não possuem a mercadoria. Segundo Karl Marx, a desvalorização do mundo humano aumenta em proporção direta com a valorização do mundo das coisas, portanto ao buscamos o próprio valor num bema material, desvalorizamos aqueles ao nosso redor, visto que os respeito mútuo entre pessoas com diferentes condições materiais fica comprometido, aumentando o abismo da segregação social e o desprezo pelo outro.
Diante disso, é necessário tomar medidas a fim de criar pontes sobre as fossas existentes entre as classes sociais no Brasil. Para isso, o Estado deve promover políticas públicas de interações entre as classes por meio do estímulo à ocupação de camarotes por sorteios, que conteriam pessoas de diferentes classes sociais, além de criar campanhas que expliquem a importância do convívio entre diferentes modos de vida, pois só assim é possível ter maior conhecimento sobre a sociedade que o indivíduo vive. Dessa forma, será possível uma sociedade em que o respeito e a dignidade humanas estão em primeiro plano.