Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

Em ‘‘O Poço’’, filme espanhol, é explorado de forma bastante literal os conceitos de segregação e desigualdade. O longa se passa em uma prisão verticalizada e dividida em níveis, representando as classes sociais, onde uma plataforma de comida desce do primeiro andar em diante. Teoricamente a comida é suficiente para todos, mas a ostentação e o luxo dos residentes superiores faz com que acabe chegando pouco, ou nada, aos níveis inferiores, expondo em um universo distópico exatamente o que acontece no mundo real.

Primeiramente, a segregação social é um reflexo do abismo socioeconômico gerado pela má distribuição de renda em um sistema Capitalista. O Brasil é o sétimo país mais desigual do mundo, segundo  o UOL, empresa de conteúdos digitais e tecnologias, e muito disso atribui-se não só as más gestões governamentais, mas a todo um desenvolvimento histórico nacional marcado pela exploração, escravidão, concentração de terra e renda.

Segundamente, é necessário entender que esse processo de camarotização impacta negativamente a sociedade de várias formas. A educação, por exemplo, além de nunca ter sido democrática, exemplifica como as políticas sociais e públicas foram, e têm sido negligenciadas no Brasil, levando as pessoas a procura da rede privada, e o mesmo acontece com o serviço de saúde, mas é claro que nem todos tem a possibilidade de acesso ao particular. Somados a isso, o fato de as pessoas delimitarem cada vez mais o espaço que frequentam, tendo como métrica o poder aquisitivo, só aumentam as desigualdades no âmbito das oportunidades e qualidade de vida, já que quem tem acesso à ensino e saúde de qualidade são aqueles que podem pagam caro por ela.

Como consequência, o assolamento do separatismo atinge diretamente as classes mais baixas, que assim como no ‘‘poço’’, vivem na miséria humana, onde os recursos sequer chegam ou são impossíveis de alcançar. Logo, o que falta no Brasil é a perspectiva de mobilidade, equalização de oportunidades e a erradicação do modelo de sociedade de privilégio, o que não significa que as pessoas tem de ser iguais, mas que compartilhem das mesmas coisas e que unam-se pelas diferenças.

Portanto, é imprescindível que o Poder Público cumpra seu dever, por meio de verbas governamentais, de reverter os impostos em serviços de qualidade tão bons quanto os das instituições privadas afim de promover a equidade dos espaços, fazendo com que tanto os mais ricos quanto os mais pobre possam eu queiram compartilhar da mesma educação, saúde além dos mesmos programas de lazer e entretenimento. Dessa forma, a cultura do ‘‘vip’’ será, a longo prazo, desenraizada, e tais atitudes farão com que a plataforma do ‘‘poço’’ da vida real alcance e sirva todos os níveis.