Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 13/05/2020

Através da história, existiram diversas sociedades estamentais, nas quais as grandes figuras, sejam elas os nobres ou os latifundiários, não mantinham contato com o restante da população, considerada inferior. Hodiernamente, apesar de vivermos em uma época, teoricamente, avançada e progressista, comportamentos iguais a dessas sociedades permanecem enraizados entre os brasileiros. Tanto formas de segregação sutis como restaurantes tão caros que a camada mais pobre não tem acesso ou ascensão dos camarotes, uma maneira escancarada de dividir quem é privilegiado e quem não é, são exemplos claros que esse não há verdadeira interação entre as classes, fortalecendo o preconceito. Devido ao capitalismo brasileiro ser de caráter concentrador, que resulta em uma enorme desigualdade social, na qual 27% da renda está nas mãos de apenas 1% da população, conforme a Veja, comportamentos segregacionistas se agravam. Ambientes que deveriam ser para todos, como escolas, praças, hospitais e até mesmo transportes públicos, se tornam apenas mais uma maneira de distinguir a população e de diminuir seu contato: o dualismo entre o público e o privado, que muitas vezes é taxado como o ineficiente e o bom. Segundo Thomas Hobbes, “o homem é o lobo do homem”, e quando se trata deste afastamento da sociedade, é visto o quanto se perde: Chances de conhecer diferentes realidades e assim crescer como uma nação unida, onde a democracia é plena, tendo compartilhamento da vida em sociedade e preconceitos sendo erradicados.

Ademais, quando há essa fragmentação da população, onde o contato se resume a, normalmente, vínculos empregatícios, a camada mais rica tende a se tornar não só preconceituosa com a mais pobre, como também ignorante a respeito do seu estilo de vida. Assim, mentalidades errôneas e esteriótipos sobre quem está a margem da sociedade se perpetuam, um bom exemplo da falta de alteridade social foi a popularização dos camarotes, tanto em shows como em evento simples, há quem faça questão de se distinguir da maioria, da classe média e baixa, não se tratando somente de status.

Portanto, diferentemente de civilizações antigas como a do Egito, há medidas e políticas que podem ser postas em prática para amenizar essa situação. Para tanto, o Governo Federal deve criar ações afirmativas que, por meio de programas de bolsas, deem a chance da classe mais baixa ter acesso a escolas e faculdades privadas. Também, deve tornar espaços públicos mais atraentes para todas ambas camadas sociais, por meio de melhorias nas praças e parques, promover eventos gratuitos que envolvam interesse de todas as partes, como shows também é uma forma de uni-las.Assim, teremos ambientes propícios para haver tal interação e oportunidades para construção de uma alteridade social e exercício da democracia e cidadania.