Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Concentração de terra e a falta de oportunidades

A concentração de renda, isto é, como está distribuído o capital em determinado lugar, é medida pelo Índice de Gini. Quanto mais próximo de um, menos pessoas deterão maior parte dos recursos financeiros. No Brasil, seu valor foi de 0,629 em 2019, o que indica a existência de grande desigualdade econômica. Disso, aufere-se também que o país é pobre não pela falta de recursos, mas por sua má distribuição. Tal problema é grave e está longe de acabar, pois foi algo construído historicamente e ainda persiste por motivo de não haver igualdade de oportunidades.

A centralização econômica no setor agrícola ocorre desde a colonização, graças à criação das capitanias hereditárias, que fomentou a concentração de terra. Assim sendo, percebe-se como os principais ciclos econômicos ao longo da história – do açúcar e do café – estão ligados a esse setor e a essa classe social. Atualmente, isso ainda é observado. Basta ver composição do PIB brasileiro, em que grande parte do lucro vem da exportação de produtos da agropecuária. Como consequência, o desenvolvimento é prejudicado e isso favorece o aumento da desigualdade social, pois grande parte dos indivíduos é excluída da renda total e, fora isso, não há diversidade na economia.

É de conhecimento geral que a educação é essencial para que o indivíduo tenha entendimento da realidade, inove, crie, descubra – que é importante tanto para o crescimento pessoal, como para a melhora da sociedade. Entretanto, no Brasil não há educação de qualidade para todos, o que restringe as oportunidades da maioria da população, pois, sem escolaridade, os indivíduos não estarão preparados para o futuro trabalho e nem para vida, além de que dificilmente conseguirão ascender socialmente. Em 2018, o exame do PISA constatou que 50% dos estudantes brasileiros não adquiriam a proficiência necessária em leitura – sem entender o que leem, essas pessoas não conseguiram se adaptar corretamente ao mutável mundo digital no qual estamos inseridos, por exemplo.

Em virtude dos argumentos apresentados, nota-se que a concentração de renda está relacionada com a de terra. Além disso, para aumentar as oportunidades, o acesso à educação de qualidade é primordial. Para que mudanças ocorram, o Ministério da Economia deve realizar uma reforma agrária, a fim de distribuir terras para os pequenos agricultores que querem expandir seu cultivo, pois, com isso, a oferta de alimentos aumentará, seus preços cairão, e isso ajudará tanto a esses produtores como os consumidores de classe baixa. Ademais, o Ministério da Educação deve realizar uma parceria com empresas de variadas áreas para que elas ofereçam cursos e treinamentos às escolas públicas. Assim, os estudantes terão todo tipo de aprendizado e suas possibilidades aumentarão.