Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 11/05/2020

Na obra ´´Os Bruzundangas´´, Lima Barreto apresenta, satiricamente, uma república fictícia, na qual embora existissem condições dignas desenvolvimentistas, a desarmonia socioeconômica propiciava a oclusão de direitos fundamentais, como a igualdade. Fora do mundo literário, tal desarmonia se concentra na existência latente da segregação das classes sociais no Brasil, a qual reafirma a obstrução dos direitos naturais, bem como explicitado pela crônica do autor literário. Nesse sentido, urge que se discutam os agentes volatizadores dessa problemática, como a inoperância governamental, atrelada a preconceitos societários de raízes históricas, com o fito de amenizá-los.

Convém ressaltar, a priori, que um dos principais empecilhos que impedem a isonomia social se remete à inócua ação estatal para com a sociedade, uma vez que não se encontra na realidade brasileira o que foi chancelado nas cláusulas pétreas da Constituição Cidadã, no artigo 5, como a inviolabilidade dos direitos fundamentais: uma vida digna, livre e igualitária. Sob essa ótica, tal inocuidade do Governo reafirma o senso de desigualdade e, por conseguinte, a segregação das classes sociais no Brasil, visto que em uma parcela significativa os serviços públicos não acompanham o ritmo da necessidade comunal, a exemplo do sucateamento das escolas públicas, o que, por conseguinte, leva os filhos dos mais abastados ao ensino de rede privada, ratificando e consolidando a vigência arcaica da estratificação social. Desse modo, o meio social fica em estado de inércia, privado de lograr para condições de homeostasia, devido à pouca efetividade jusnaturalística, como a igualdade, externadas no cotidiano brasílico.

Outrossim, Sérgio Buarque de Holanda, no livro ´´Raízes do Brasil´´, exara que a cidades coloniais eram instrumentos de poder do colonizador sob o colonizado, demonstrando que desde o princípio do ´´novo mundo´´ já se vigorava o processo de desigualdade nos estratos sociais. Nessa perspectiva de raiz histórica, é impossível confirmar que essa problemática é de cunho moderno, mas sim a a perpetuação de um problema cultural que precisa ser freado, porque essas diferenciações em torno do poder monetário propicia, indiretamente, á exclusão das classes ´´inferiores´´ do acesso profícuo aos direitos inalienáveis do homem, bem como dá força não só para a segregação das classes, mas também para a segregação espacial, cuja ação acarreta a chamada favelização e marginalização dos tecidos menos privilegiados. Logo, é evidente que a perpetuação de alguns processos históricos coopera na institucionalização de violências sutis, as quais interferem a harmonia civil e se contrapoem a aplicabilidade das jusnaturalidades do ser.