Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 09/05/2020

No quadro “Os Operários”, da artista modernista Tarsila do Amaral, é retratado a diversidade cultural brasileira juntamente com as inúmeras disparidades sociais. Nesse contexto, analisa-se, no Brasil, as marcas históricas de uma sociedade construída na base da segregação de uma maioria para o benefício de um grupo controlador. Dessa forma, a população brasileira é extremamente estratificada. Logo, medidas são necessárias para mitigar essa problemática.

Em uma primeira abordagem, é importante destacar os processos históricos da política brasileira e o seu caráter oligárquico. Sob tal ótica, percebe-se a construção de uma sociedade doente, em que interesses individuais são supervalorizados e os grupos não detentores de poder sofrem com a omissão. Prova disso, é o período conhecido como República Velha, que ficou marcado pelo coronelismo, ou seja, o mandonismo por parte dos grandes latifundiários. Em conformidade, esse cenário não foi alterado e os grandes donos da política brasileira ainda são os detentores do capital. Dessa maneira, ocorre com frequência processos excludentes, por exemplo, a gentrificação, uma transformação do meio urbano com a retirada da comunidade de baixa renda e a inserção das camadas mais ricas, demonstrando a sobreposição do dinheiro em relação ao valor do ser humano.

De acordo com Aristóteles, em seu livro Ética a Nicômaco, a base de uma sociedade é a justiça, em que as ações são pensadas e direcionadas para o bem comum. Nesse sentido, os preceitos da sociedade brasileira estão totalmente invertidos, gerando uma grande estratificação. Por conseguinte, grande parte da população brasileira não possui o básico para viver, fazendo com que a miséria, a violência, se tornem uma realidade constante no âmbito populacional. Destarte, os indivíduos não vivem dignamente, o que certamente é contrário a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Evidencia-se, diante disso, que o Brasil apresenta raízes segregacionais e é de extrema relevância que esse fator seja combatido. Portanto, o Estado brasileiro precisa ser reformulado, o Poder Executivo, bem como o Legislativo, devem mudar suas formas de agir, direcionando o foco para o bem comum. Isso pode ser feito por meio de políticas públicas que garantam, de verdade e com qualidade, os direitos básicos para uma vida digna, como educação, alimentação, segurança, a cada cidadão, para que a segregação social seja amenizada. Assim, a diversidade cultural representada pela modernista Tarsila do Amaral será sobreposta as disparidades sociais também citadas e cada indivíduo será valorizado.