Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
O livro “Quincas Borba”, de Machado de Assis narra a história de Rubião, um professor que tem sua vida modificada quando descobre que é o único herdeiro de uma grande fortuna deixada por seu amigo, que dá nome à obra. Mudanças de cenário econômico como a ocorrida com o personagem, no Brasil, só seria possível em circunstâncias similares as da narrativa, haja vista a forte segregação de classes sociais existente, sucedida, majoritariamente, por uma construção social histórica, além de fatores de divisão socioespacial, elementos da construção da desigualdade social, expressa nas faltas de oportunidades equivalentes para indivíduos de estratificações sociais diferentes.
A priori, é valido analisar o estudo realizado por Karl Marx, que evidencia o fato de a história de toda a sociedade ser embasada na história de uma luta de classes. Dessa forma, desde a antiguidade existem grupos antagônicos como: patrícios e plebeus, nobres e servos e com o advento da industrialização, burgueses e proletários. Essas relações se fundamentam de forma materialista, principalmente pelos meios de produção, assim sendo, todos os processos sociais e políticos estariam atrelados a causas econômicas.
Por conseguinte, é cabível enfatizar que com ocorrência da urbanização brasileira, houve a elitização do espaço urbano, onde locais com menos infraestrutura foram habitados por populações de baixa renda. Ademais, procedimentos de gentrificação, ou seja, revitalização de alguns espaços urbanos, podem ocasionar o aumento do custo de vida em algumas regiões gerando a expulsão de indivíduos mais pobres de algumas localidades.
É válido ressaltar que a desigualdade social é bem explicitada, de acordo com o sociólogo Florestan Fernandes, pela diferença de oportunidades entre negros e brancos, que estão inseridos em camadas diferentes da sociedade e não possuem a mesma mobilidade social, oportunidade de trabalho, estudo entre outras condições de vida. Dessa maneira, os brancos ocupam uma posição de destaque e constituem a maioria da população rica do Brasil, e classes sociais são vinculadas a raça.
Nesse contexto, cabe ao Ministério da Cidadania, realizar a inserção de indivíduos de baixa renda em escolas e ambientes de trabalho por meio da intensificação da lei de cotas estudantis e trabalhistas, métodos de curto prazo nos quais são reservadas, nesses ambientes, vagas para grupos específicos. Além disso, frentes parlamentares relacionadas a cultura, devem elaborar projetos de políticas publicas que garantam, por meio de descontos, o acesso a cinemas, shoppings, parques, shows e outros locais de entretenimento à população marginalizada. Dessa maneira a problemática envolvida na segregação de classes sociais poderá ser amenizada.