Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
A segregação das classes sociais no Brasil é um problema evidente, permeado de raízes histórico-culturais e prejudicial , em especial, à classe baixa. Nesse contexto, o cenário brasileiro ,atual, reverbera um sutil apartheid social proporcionado pela tendência contemporânea da “camarotização”. Portanto, é necessário que o Estado atenha-se à essas mudanças e promova ações com a finalidade de conter a polarização social emergente.
Em primeiro plano, é interessante fazer um paralelo entre o mito da democracia racial - de Florestan Fernandes- e o quadro social brasileiro. O mito da democracia racial versa sobre a falsa ideia de que no Brasil, devido a intensa miscigenação, o preconceito racial é insólito; da mesma forma não há no Brasil uma democracia social, apesar da constituição, em tese, garanti-la. Ainda sob efeito de comparação, ambas as formas de segregação, possuem raízes históricas, ilustradas, por exemplo, na relação entre escravos e senhores de engenho, onde se evidência uma separação social e racial, preservada ainda hoje sob as figuras antagônicas da classe baixa e alta.
Outrossim, a segregação social se materializa no mundo físico, com o fenômeno da “camarotização”, o qual consiste na criação de espaços de uso exclusivo de determinado grupo. Além disso, é importante ressaltar que esse fenômeno não se restringe ao uso de camarotes em festas, com o intuito de inviabilizar o contato entre indivíduos de diferentes classes sociais. Na verdade, a “camarotização” está presente na própria infraestrutura urbana com o processo de gentrificação, um vez que, áreas gentrificadas marginalizam as classes sociais mais pobres, devido a revitalização urbana- processo que eleva o custo de vida da região e indiretamente fomenta em uma limpeza social. Desse modo, fica claro que a segregação das classes sociais no Brasil ocorre nas mais diversas formas, desde a camarotes em festas até a gentrificação em áreas urbanas, à exemplo do bairro Vila Madalena em São Paulo.
Em suma, a segregação das classes sociais no Brasil revela um embate velado entre classes,o qual prejudica a de menor poder econômico, podendo ser observado nas tendências de separação espacial e social entre ricos e pobres. Dessarte, cabe ao Ministério Público proibir a “camarotização " em grandes eventos públicos como o carnaval, além de articular encontros anuais entre alunos de escolas particulares e públicas, na forma de uma gincana com duração de duas semanas, com o fito de promover a interação entre as diferentes classes sociais e atenuar a segregação. Ademais, é dever do Ministério da Infraestrutura adaptar a gentrificação às necessidades de toda população, impedindo que a revitalização marginalize os mais pobres.