Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 11/05/2020

A desigualdade social e a democracia são antônimos dentro da socieade. Uma vez que é ilógico que exista uma “República do povo” na qual a maior parte da população tenha sua qualidade de vida cerceada pelo seu poder aquisitivo. Assim, se o que permite que as pessoas acessem determinados lugares e produtos é o seu poder de compra, uma sociedade desigual além de anti-democrática, também limita a humanidade dos indivíduos a meros consumidores.

Primeiramente, já que a Carta de 1988 prevê o direito a moradia, saúde, educação e lazer para todos os cidadãos e a população de baixa renda não goza desses direitos, torna-se explicito que a desigualdade social é anti-constitucional e assim, anti-democrática. Fora isso, como o acesso a lugares e serviços é marcado pela classe social dos indivíduos, pouco se vê o convívio entre os dois opostos sociais. Dessa forma, não existe troca de experiências, nem uma abertura das classes mais altas para enxergar os problemas que afligem a população com baixa renda. Assim, se existia a possibilidade daqueles que gozam de seus Direitos plenamente usarem-os para transformar a realidade daqueles que possuem apenas  os seus Deveres, esta torna-se quase nula. Logo, sustenta-se a desigualdade.

Além disso, se é o poder aquisitivo de alguém que lhe permite o acesso a recursos básicos de qualidade, como saúde e educação, a noção de humanidade dos indivíduos e sua existência como cidadão limita-se ao seu poder de consumir. Dessa forma, toda a individualidade, a história das pessoas e suas experiências de vida são pautadas no quanto elas podem dispender de dinheiro para consumir algum produto ou serviço. Ou seja, aqueles que dispendem de muitos recursos financeiros, vêem-se, ilusoriamente, como superiores e internalizam tanto esse pensamento que os outros, que não podem ter o que eles tem, não são dignos de frequentar os mesmos lugares e nem possuir os mesmos itens. Assim, estes criam espaços exclusivos que sustentam essa falsa noção de superioridade. E por conta disso, esses espaços vips são cada vez mais caros e essas pessoas fecham-se ainda mais dentro de suas realidades sociais privilegiadas.

Por tanto, a desigualdade social marca a falta de democracia e reduz a individualidade dos seres a consumidores. Dessa maneira, o Ministério da Cultura e da Educação deve incentivar o convívio entre as duas classes sociais distintas, por meio de palestras e discursos que mostrem o quanto essa noção de superioridade serve apenas para sustentar o consumismo, para que desconstrua-se esse discurso internalizado e ambas as classes aprendam uma com as outras. E assim, as classes mais altas usem seus privilégios para restituir os Direitos Sociais daqueles que não o possuem. Para que assim, os cidadãos não sejam vistos como humanos apenas no papel, como diz Gilberto Dimenstein em seu livro.