Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Tendo existido desde as civilizações estamentais da história antiga, a separação da população entre quem tem mais recursos e quem não os têm ainda está muito presente nos dias atuais, e a sociedade brasileira tem sua organização como exemplo de tal fenômeno que, por sua vez, está intrinsecamente atrelado à segregação urbana cada vez mais evidente nas grandes metrópoles do país resultando numa desigualdade social e colocando em questionamento a eficiência da sua forma de governo:  a democracia.

Assim como grande parte dos países emergentes, no Brasil houve um intenso e descontrolado êxodo rural resultando em cidades desorganizadas em termos de infraestrutura, com grandes favelas - espaços com casas construídas de forma amontoadas e desniveladas entre si - e, aos poucos, foi ocorrendo uma segregação urbana; um grande exemplo disso é a cidade de São Paulo: de um lado, encontra-se bairros planejados - a zona sul da metrópole - e de outro, um aglomerado de residências muitas vezes desassistidas pela prefeitura - a zona norte. E essa separação leva ao que Michael J. Sandel, professor da universidade de Harvard, chamou de “camarotização”, que ocorre quando a presença de locais em comum onde tanto pessoas privilegiadas quando as de pouco recursos se encontram ficam cada vez mais raros.

Tudo isso, evidentemente, causa uma desigualdade quanto ao acesso à serviços essenciais para a sociedade, como educação e saúde que quando público não se torna referência e nem melhor do que quando pago - em sua maioria - sendo alvo de grandes críticas. Ou seja, se a obtenção ao conhecimento, bem como de tantos outros setores,  de quem não é privilegiado é precária, isso se torna contraditório à forma de governo brasileiro, democracia, a qual deveria prezar pelo compartilhamento da vida em comum e, infelizmente, nessa sociedade desigual o que se tem é mais bem valorizado do que os valores aos quais se pratica tornando-a extremamente materialista, consumista e, no caso dos mais pobres - a maioria - , endividada.

Visto isso, percebe-se que a segregação social ocorrente no país se torna bastante maléfica e, por isso, é de extrema importância diminuir a “camarotização” e, assim, a desigualdade. Para tal, deve-se construir, ou adaptar, locais públicos - por parte dos órgãos competentes - os quais não haveriam a distinção do espaço dependendo do poder monetário das pessoas frequentantes fazendo com que as mesmas compartilhem-o em comum, trocando experiências.