Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 13/05/2020

As palavras possuem sentidos diversos.

Sempre presente na história da humanidade, a segregação social vem ganhando mais espaço na realidade brasileira. Antes bem demarcada, hoje a divisão é sútil, não no sentido de mais branda, sim no de escondida e relativizada. Assim, despercebida aos olhos menos atentos , a desigualdade torna-se mais sólida e difícil de ser combatida.

Representar claramente o motivo das diferenças sociais no Brasil é uma tarefa árdua, senão impossível. Mas é fato que muito da mentalidade escravocrata colonial brasileira perdura até hoje, tendo em vista que o trabalho escravo carrega o máximo da segregação de um ambiente. Nos engenhos coloniais, por exemplo, os grandes latifúndios caracterizavam a sociedade vigente e, por meio da casa grande e da senzala, soldavam o papel de cada indivíduo. Atualmente, a massa trabalhadora não dorme mais na senzala, mas ainda descansa muito longe de seus patrões em locais precários, sem janela e com focos de doenças, chamados de comunidades.

Outrossim, espaços ditos ‘‘públicos’’ não são de uso realmente de todos. Os shoppings, por exemplo, são de acesso a todos, mas quem realmente pode pagar pela roupas exibidas ou pela comida da praça de alimentação? Apenas uma pequena parcela da sociedade utiliza esse espaço, e,  chama-lo de ‘‘público’’ carrega a ideia que é de uso comum, abstendo-o de amplificar o seu público para camadas mais pobres.

Portanto, para haver qualquer mudança na estrutura do país, é necessário a mudança da visão que as pessoas possuem sobre o próprio país,assim,  o questionamento é a arma principal dessa mudança. É de suma importância que a escolas incentivem, desde cedo, a reflexão e o papel das instituições político-sociais. Na Grécia antiga, cidadão significava participar das decisões da pólis,e, para isso, era preciso refletir sobre a pólis. No Brasil, faltam filósofos que pensem na situação e, talvez, recriem o conceito de cidadania.