Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 12/05/2020
A série “3%”, produzida pela Netflix, apresenta em seu enredo um mundo dividido em dois espaços que se diferenciam pela questão socioeconômica. Enquanto de um lado todos têm acesso às melhores condições, do outro, os indivíduos são deixados a mercê. Fora da ficção, é fato que - seja pela falha do Estado, seja pela inércia cívica - a sociedade brasileira retrata condições desiguais semelhantes à trama. Nessa perspectiva, faz-se necessário discutir acerca da segregação das classes sociais na hodiernidade.
Dentro desse contexto, é valido analisar os impactos causados pelo déficit governamental. O filósofo, São Tomás de Aquino, salientou que é dever do Estado promover a todo e a qualquer cidadão os direitos essenciais à vida. Sob essa máxima, é indubitável que o Poder Público corrompe a sua função enquanto agente fornecedor, haja vista que a disparidade do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) entre os estados federativos evidencia a sua insuficiência na aplicação descentralizada de políticas públicas. Ademais, esse infeliz paradigma socioeconômico impulsiona a construção de uma conjuntura, ainda mais, exclusiva. Destarte, é inadmissível que esse âmbito antagônico permaneça a segregar indivíduos os quais, constitucionalmente, têm iguais juricidades.
Outrossim, é indispensável entender os efeitos gerados pela letargia social. O cientista, Robert Putnam, afirma que quanto mais a sociedade participa, menores serão os problemas. Sob essa óptica, nota-se que o corpo civil falha ao não instigar à insatisfação face a discrepâncias sociais as quais impossibilita os indivíduos de camadas inferiores a obter as mínimas condições basilares, como a educação. Nesse viés, o lapso dos cidadãos ao atuar em manifestações democráticas, sustenta um patamar avassalador que atribui condições sub-humanas a uma parcela populacional. Logo, é fundamental desconstruir essa displicência segregativa.
Dessarte, perante o supracitado, é mister combater tanto o déficit estatal, quanto a inércia da sociedade. A fim de desvincular a realidade brasileira da transcendida em “3%”, cabe ao Governo Federal, em virtude da sua responsabilidade enquanto órgão maior, por meio de artifícios legais, elevar a fiscalização na distribuição de investimentos em políticas públicas para, dessa forma, garantir a sua aplicabilidade em todas as camadas sociais. Além disso, é encargo do Ministério de Educação, estabelecer não somente campanhas, mas também palestras com mestres e doutores em relações interpessoais, com a finalidade de instruir os jovens sobre a importância de se posicionar frente aos impasses socais. Somente assim, essa alarmante marginalização será mitigada.