Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Uma nova Praça repleta de Antiguidade

O ensino educacional público e privado, os espaços de eventos, divididos do caro ao barato; e os bairros, que alocam a população de acordo com o seu poder aquisitivo: todos esses fatores demonstram a segregação social presente no Brasil. Por conseguinte, esse afastamento gera uma perturbação negativa não só no âmbito social, como é o caso da influência no sistema democrático, como também gera disfunções no âmbito individual, como se vê em relação ao campo experiencial de cada pessoa.

Em uma primeira análise, nota-se que, a falta de contato entre as populações de classes sociais diferentes, abala a democracia. Uma vez que estes grupos possuam necessidades diferentes, faz-se necessário um diálogo entre eles para que o Estado possa intervir de forma mais eficiente. Como isso não acontece, muitas vezes o grupo que possui menor poder aquisitivo sai prejudicado; como é o caso, por exemplo, de bairros pobres sem acesso a estruturas adequadas de habitação, educação e saúde.

Outro aspecto a ser abordado é o das consequências desta segregação no âmbito do indivíduo. Segundo o psicólogo russo Lev Vygotsky, o ser humano constrói sua identidade e suas ferramentas de interação com o mundo a partir da relação com os outros. Logo, o indivíduo que não interage com o outro de realidade social tão diferente, perde um rico intercâmbio cultural que poderia ajudar na amplificação da sua visão de mundo e, ainda, na sua construção como cidadão. Porém, sem esse contato, o que acontece é o desenvolvimento de preconceitos.

Assim, para se criar um ponte nesse abismo social, deve-se valorizar os espaços públicos; por exemplo das Ágoras da antiguidade anteniense, praças públicas onde os cidadãos se reuniam para discutir política. Isto é, este espaço, que é sede de intercâmbios socio-culturais, deve ser investido pelo governo, de modo que hajam eventos e oficinas que abranjam todos os cidadãos. Desse modo, pode haver enriquecimento do indivíduo e da democracia, minimizando a segregação social brasileira.