Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
Nas arenas onde ocorriam as lutas entre gladiadores para entreter os plebeus romanos, haviam lugares separados e reservados para a elite daquela sociedade aproveitar de forma privilegiada o evento. Lamentavelmente, apesar de antiga, essa segregação social é um problema que persiste até os dias atuais, corrompendo a dignidade de muitas pessoas. No Brasil, tal flagelo é gritante e decorre, principalmente, da perversa atuação do mercado imobiliário, somada à desigual distribuição de equipamentos e infraestrutura para a população.
Convém ressaltar, a princípio, a seletividade de investimentos do mercado imobiliário como fomentadora das desigualdades habitacionais. Nesse sentido, a reserva e a especulação de imóveis alcança valores absurdos nas porções mais próximas dos centros urbanos, promovendo a exclusão da população menos remunerada, em consonância com o Jornal da Cultura. Por vezes, esse cenário é problematizado pelo fato de as regiões periféricas serem precárias quanto ao oferecimento de saneamento básico, lazer, segurança, saúde e educação. Dessa forma, a cidadania das pessoas que vivem nesse tipo de ambiente é gravemente denegrida todos os dias.
Outrossim, como mais um acentuador do dilema, vale mencionar a divergência qualitativa da infraestrutura entre os serviços essenciais públicos e privados. Sobre essa perspectiva - e sob a luz dos estudos do professor Michael J. -, bastantes cidades brasileiras contam com grande parte do transporte, das escolas e unidades de saúde públicas depredadas e saturadas, enquanto a minoria dos cidadãos desfrutam de outros meios de locomoção, instituições de ensino e planos hospitalares privados e de melhor qualidade. Tal situação é inaceitável em um país como o Brasil cujo a Constituição garante a todos igualdade perante à lei.
Em suma, faz-se inadiável a tomada de medidas atenuantes ao impasse abordado. Urge, pois, ao Estado, por meio de ações articuladas entre os poderes municipais, estaduais e federais, criar um plano nacional resolutivo para minimizar tais divergências socioeconômicas no país. Esse programa deve ser materializado na avaliação minuciosa das condições de vida das pessoas de baixa renda tanto nas cidades quanto nas periferias e interiores dos estados, objetivando direcionar verbas para incrementar políticas públicas (bolsa família, bolsa escola), bem como para ampliar as áreas com saneamento básico e otimiza a infraestrutura das linhas de ônibus, trens, metrôs, das escolas e das unidades de saúde públicas. Destarte, com a aplicação dessas intervenções, especialmente na educação, as segregações das classes sociais no Brasil irão se tornar, gradualmente, discretas.