Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Desde os anos em que o Brasil era colônia de Portugal, havia uma divisão socioespacial, em que a elite portuguesa tinha todos os privilégios, enquanto os escravos tinham, no máximo, o direito de permanecerem vivos e trabalhando. Hoje, no século XXI, mais de 500 anos depois, vive-se uma segregação ainda maior no Brasil, a qual é considerada por alguns antropólogos como o “maior dos apartheid”. Assim, é fundamental discutir essa problemática e encontrar formas de resolvê-la.

Em primeira instância, é necessário ressaltar que vive-se um fenômeno de “camarotização”, ou seja, todo lugar frequentado tem uma espécie de camarote, o que promove a segregação. Isso é percebido em ambientes, como bares, shows, aeroportos, shoppings, locais de turismo (Trancoso, Malta, Fernando de Noronha, por exemplo). Essa situação ocorre, pois a elite branca brasileira deseja que a sociedade se mantenha estratificada, com ela no topo da pirâmide e com o mínimo de possibilidade de ascensão. Um exemplo disso ocorreu em um aeroporto, onde a mulher do comediante Renato Aragão gravou um vídeo reclamando que o local parecia uma rodoviária por ter pessoas viajando de bermuda e chinelo. Isso demonstra como a maior acessibilidade a determinados locais incomoda por não ser mais tão segredado como outrora.

Outrossim, é importante destacar que serviços públicos, muitas vezes, são vistos com preconceito, já que, normalmente, são mais utilizados por uma parte menos abastada da população. Nesse contexto, é melhor e mais bem visto aquele que tem o próprio carro, que paga escola particular para os filhos, que viaja apenas de avião, entre outros. Isso é decorrente da camarotização, mas, principalmente, da falta de investimento governamental, o que prejudica a qualidade desses serviços que, constitucionalmente, são direito de todos e que deveriam ser amplamente utilizado. Por essa razão, cabe pontuar dados do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), que apontam uma queda de 20% no uso de transporte coletivo devido a maior uso de automóveis, o que reflete o enriquecimento da população e a facilitação ao acesso à compra de veículos. Esse fato demonstra que o foco da sociedade é ascender socialmente e poder aumentar a segregação ou se encaixar com quem segrega.

Diante de exposto, percebe-se que boa parte das pessoas almeja atingir, no mínimo, a classe média e desfrutar da camarotização, sendo que o objetivo deveria ser a igualdade. Assim, para mudar essa realidade, o governo federal, juntamente com os governos municipal e estadual devem investir, por meio de planejamentos financeiros e urbanos, em serviços públicos de qualidade e estimular o uso pela população em geral, com o intuito de igualar os indivíduos e diminuir, em parte, a necessidade de determinados recursos como forma de status e segregação.