Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 12/05/2020

Recém tirada a faixa dos olhos de um Bird Box, o mundo viu-se livre e desconstruído após o final da Guerra Fria e a queda do muro de Berlim, em 1989. Contudo, despreparado para lidar com o fim das faixas e dos muros, esse mundo vive atualmente problemas relacionados à segregação de classes sociais. Percebe-se que esse problema é resultado de políticas públicas que reforçam essa ideia, assim como de uma adaptação do entretenimento para essa marginalização.

É importante, primordialmente, ressaltar essas políticas públicas que fomentam essa segregação. O período de quarentena que a nação se encontra exemplifica essa ideia. Embora escolas e faculdades tenham aderido ao EaD (Ensino à Distância) devido a pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) e a consequente quarentena, muitos de seus alunos não possuem o acesso à internet para acompanhar esse tipo de aula, escancarando a ideia de Múltiplos Brasis, de Darci Ribeiro, que diz que dentro do Brasil existem várias vertentes de brasileiros, e nenhuma dela são iguais. Desse modo, a classe social menos favorecida fica sem ter o acesso ao conhecimento que tinha antes, segregando ainda mais a classe dominante da classe dominadora. Esse tipo de fato social traz como consequência movimentos estudantis que buscam, de alguma forma, tentar diminuir essa distância entre as classes, como por exemplo o movimento #AdiaEnem, já que não são todos os vestibulandos com oportunidades de estudos iguais.

Paralelo a essas políticas públicas de fracasso, destaca-se a maneira como o entretenimento se adaptou a marginalizar as classes sociais. Dirigidos por uma postura capitalista, que visa acima de tudo, o lucro, empresas nacionais vêm adaptando a realidade do entretenimento à essa segregação de classes, como visto nos estádio de futebol, onde, antigamente, as pessoas sentavam lado a lado e compartilhavam de uma partida independente de sua posição social. Contudo, a ideia de criar lugares nos estádios mais caros  escancarou o interesse da segregação por parte da elite, que agora, com esses lugares mais caros, seriam frequentados por pessoas com mais condições. Esse tipo de atitude retarda o desenvolvimento social, pois traz como consequência uma visão, por parte da classe menos favorecida, de que estão sendo cada vez mais deixados de lado pelo Estado e pela sociedade.

Em suma, consta-se a necessidade de readaptar a realidade brasileira. Cabe ao Ministério da Educação (MEC), em união ao Ministério da Cultura (MinC) promover melhorias de comunicação entre os múltiplos brasis. Essa promoção pode se dar fortalecendo planos como a meia entrada em estádios para jovens de baixa renda, para que, a longo prazo, todas as classes sociais tenham seu papel na sociedade entendidos e, na medida do possível, menos segregados.