Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 13/05/2020

Percebe-se, na atual conjuntura brasileira, um potencial de sociedade orgânica -proposta pelo sociólogo Durkheim- na qual o desenvolvimento e a segregação social são grandezas diretamente proporcionais. Entretanto, uma sociedade sem contato cotidiano entre suas classes contribui para o aumento de intolerâncias e preconceitos. Sendo assim, para mitigar esses impasses, são necessários debates profícuos acerca dessa problemática.

Por meio de uma análise histórica, a diferença de classes sempre existiu - não houveram povoamentos estáveis sem grandes lideranças- porém, com o advento da Revolução técnico-científico-informacional, nota-se que a diferença de classes deixou de ser uma estratégia política e passou a ser um meio de proteção social, na qual classes mais altas utilizam-se do poder aquisitivo para evitar o contato com outras classes. Dessa forma, cresce o fenômeno denominado “camarotização” -espaços mais caros em locais de aglomerações- para que não haja contato entre diversas classes.

Outrossim, do ponto de vista sociológico, ao se diminuir o contato entre as classes sociais diferentes, cria-se então, uma multipolaridade global, usualmente chamada de “bolhas sociais”, nas quais os grupos pertencentes só socializam com seus iguais. Porém, a falta de contato  promove desumanização entre os diferentes e provoca aumento das intolerâncias e preconceitos. Como é apresentado, por exemplo, em um episódio da série “The Black Mirror”: uma sociedade não tão utópica que se utiliza de “XPs” de classificação social para viver com qualidade, a depender das suas notas.

Ante o exposto, faz-se necessárias ações para atenuar a desigualdade de classes no Brasil. Dessa forma, uma iniciativa viável ao Ministério da Educação é incentivar, por meio de insumos, as escolas particulares a ofertarem bolsas de estudos para alunos de baixa renda, para naturalizar o contato entre classes desde a infância. Em conjunto com a ampliação e fiscalização de programas já existentes, como o Bolsa Família, ter-se-á uma sociedade menos orgânica, como popôs o sociólogo Durkheim.