Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
A “camarotização” é um fenômeno caracterizado pela ostentação, com o objetivo do acesso exclusivo a ambientes e objetos por determinados grupos sociais. Ela é um fator de segregação social bastante presente no Brasil do século XXI. Porém, essa realidade está nas raízes da humanidade, a exemplo da escolha de lugares privilegiados para aristocratas nos coliseus de Roma Antiga. Enquanto os nobres ficavam nos melhores lugares para assistir aos espetáculos, os plebeus observavam os shows no restante da arquibancada. Além disso, pode-se citar o exemplo dos condomínios fechados, o filho de um político matriculado em uma escola privada e os camarotes nos estádios.
Nesses locais, o fenômeno da elitização é nítido, o qual acolhe quem tem condições financeiras, mas exclui os indivíduos de vida simples. Lamentavelmente, não é percebido o quão maléfico esse processo é para a sociedade brasileira, pois o convívio entre classes sociais diferentes ensina a prática do respeito, a diminuição do preconceito e, consequentemente, gera harmonia. Em contrapartida, a ausência do contato diário entre pessoas ricas e pobres resulta em perdas sociais, conforme dito por Michael J. Sandel, professor da Universidade de Harvard, em seu texto: “O que o dinheiro não compra”.
Infelizmente, o “apartheid social” ofusca o belo valor do ser e alimenta a cultura do ter. Quando o indivíduo está imerso no mundo capitalista, ele acaba não percebendo o valor que tem a vida simples, regada com bons costumes e paz interior. Então, acaba, em alguns momentos, não respeitando o diferente e não entendendo a realidade na qual esse diferente está imerso. Pelo contrário, ele se importa muito mais em adquirir os bens materiais mais sofisticados e exibi-los. Nesse âmbito, emerge o espaço contido nas redes sociais, onde se expõe tudo o que tem, como riqueza e dinheiro, para frequentar locais segregados e luxuosos. Em consequência disso, alguém que não tem capital financeiro, almeja aquela vida de luxúria. Por não tê-la, entristece-se e murmura da sua realidade. Logo, aflora a frustração, a ansiedade e, muitas vezes, um quadro depressivo no indivíduo humilde.
Nesse contexto, portanto, é imprescindível que o Governo Mundial tome medidas para mudar esse cenário. Seria interessante que a ONU (Organização das Nações Unidas), em parceria com o Facebook e o Instagram, lançasse um decreto que limitasse e bloqueasse algumas postagens nas redes sociais, ao classificar conteúdos de exibição de bens como assédio moral, com o intuito de diminuir o grau de frustração de quem não tem tantas condições financeiras. Ademais, o Estado, junto com o Ministério da Educação, deveria investir mais nas escolas públicas, a fim de ofertar um ensino de qualidade, superior ao das escolas particulares, e despertar o interesse de todos para usufruir do ensino público. Assim, ricos e pobres passariam a ter contato diário. Dessa maneira, o convívio harmônico seria cultivado.