Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

Na série literária norte-americana “As crônicas de gelo e fogo”, Porto Real, a capital dos sete reinos, apresenta uma notória disparidade social, de um lado os luxuosos traços da Fortaleza Vermelha, palco da luta entre as grandes casas de Westeros, de outro, a miséria da baixada das pulgas. A vida real, principalmente no Brasil, não é tão diferente do cenário da guerra dos tronos, a disparidade é visível a ‘olho nu’, na educação, saúde e infraestrutura do país. O fenômeno da “camarotização” - separação física entre as classes sociais - tem se enraizado nos diversos setores sociais. Cabe aos brasileiros entender as origens e consequências dessa problemática.

O Brasil, antes de ser proclamado ‘república", passou por mais de 300 anos de colonização e pouco mais de 50 anos de império, esses períodos da história nacional estruturaram toda a base da sociedade brasileira. A segregação surge daí, quando as terras indígenas transformaram-se em latifúndios; os cortiços cariocas deram espaço às mansões da corte portuguesa; e o escravo foi liberto, mas o senhor de engenho é quem foi indenizado. O sociólogo Gilberto Freyre trata dessa estrutura segregacionista colono-imperial em sua obra, Casa-Grande e Senzala, comprovando, através de estudos sociológicos, que esses períodos brasileiros deixaram feridas que sangram até o presente momento.

Somando-se a isso, ao observar a teoria do sociólogo Karl Marx, pontos bastante relevantes para o entendimento da sociedade devem ser destacados. Marx trata a luta de classes como o motor do mundo, e também afirma que a elite gera a alienação da população. É evidente que no Brasil esta alienação é o que “cega” as massas, a população está acostumada com o ambiente de disparidade social, evitando até confrontá-lo, tratando normal situações segregacionistas realizadas, inclusive, pelo próprio governo. É fato, que os políticos que governam a república brasileira, são os mesmos que governaram a ditadura, o império e a colônia, a elite burguesa e aristocrata; a estrutura perdura, falta a a população entender e enfrentar o sistema.

Diante dos fatos supracitados, faz-se necessário refletir sobre essa desigualdade social enraizada no Brasil. Cabe à Receita Federal reavaliar as verbas destinadas à educação pública, para que haja uma capacitação melhor de docentes, reestruturação e construção de campus escolares e universitários, disponibilização de mais materiais para estudos e pesquisas acadêmicas, dentre outros investimentos educacionais. A fim de que se formem mais profissionais capacitados, a partir de uma ampliação do acesso à educação, pois seria ela que reduziria a desigualdade social, como pondera Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa para mudar o mundo”.