Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

O professor Michael J. Sandel utiliza o termo ‘‘camarotização da vida pública’’ para se referir à segregação de classes na sociedade americana. O Brasil, por sua vez, não se difere dessa realidade, na qual pessoas de diferentes poderes aquisitivos raramente interagem entre si. Isso se deve, em grande parte, ao fato de os serviços públicos não serem equivalentes aos privados e esses não acessíveis à maioria da população.

Em primeira análise, é coerente dizer que o consumo, no contexto social brasileiro, se tornou um elemento central na formação da identidade humana ( Assim como dissertou o pensador Zigmund Bauman). Esse fenômeno estimula a divergência entre os setores de domínio público e particular, fazendo com que as altas classes sociais estejam dispostas a pagar caro por serviços essenciais. As classes baixas, no entanto, são excluídas dessa realidade, usufruindo apenas dos serviços prestados à coletividade, que deveriam garantir uma qualidade similar àqueles exclusivos aos poderosos, criando ambientes de contato social independente do estamento.

Em segunda análise, é possível destacar a ausência de acessibilidade em áreas unicamente de iniciativa particular em relação a pessoas de baixa renda. Isso ocorre, porque, segundo o filósofo Karl Marx, os detentores da propriedade privada acentuam a pobreza e a exclusão através do poder que têm sobre a economia e, consequentemente, sobre as outras relações sociais. Dessa forma, a sociedade brasileira se torna ignorante em relação ao respeito das diferenças e na busca pelo bem comum.

Cabe, portanto, ao governo do Brasil tornar os serviços de acesso público equivalentes aos particulares, através de investimenros na qualidade dos mesmos, direcionando impostos a essa área para que ocorra o contato entre pessoas de diferentes origens sociais. Aqueles que constrolam os meios privados, por sua vez, devem desenvolver oportunidades ao consumo de seus serviços a grupos de baixa renda, reservando espaços para eles com o objetivo de tornar o Brasil cada vez menos ‘‘camarotizado’’.