Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
Após a abolição da escravidão em 1888 pela lei Áurea, os homens libertos não podiam comprar terras, o que era a principal fonte de renda da época, pela falta de recursos. Entretanto, os homens brancos recém libertos foram facilmente aceitos e empregados nos centros urbanos, já os ex-escravos negros, quando não eram proibidos pelos seus antigos donos de irem embora das fazendas, sofriam preconceito eminente na sociedade e não receberam nenhuma lei que os integrasse. Diante desse contexto, os negros se tornaram pessoas marginalizadas, esquecidas e majoritariamente pobres. Com isso, faz-se necessária uma intervenção que busque garantir direitos para a periferia brasileira.
É relevante abordar, primeiramente, que as cidades brasileiras foram construídas sobre um viés elitista e segregacionista, e com a ascensão do capitalismo no contexto mundial, as classes sociais mais altas isolam-se e impedem cada vez mais que a parte pobre da sociedade integre os espaços que são financeiramente valorizados. Segundo o IBGE, 54% da população brasileira é negra e de cada 4 pobres, 3 são negros, o que mostra o quanto a população negra é a mais acometida nas questões de desigualdade social, algo totalmente antidemocrático.
Pesquisas do IBGE também revelam que pessoas pretas e pardas têm mais probabilidade de viver em lares com condições precárias, sem acesso a água, esgoto e coleta de lixo, além de baixa escolaridade e altos índices de evasão escolar em relação aos brancos. Tudo isso é a prova que não existem políticas que mudem a realidade dessa classe tão desvalorizada, nem mesmo acesso à educação de qualidade, uma das principais oportunidades de conseguir melhorar a vida financeira dos pobres.
Desse modo, é imprescindível tornar a sociedade urbana democrática. Para isso, cabe ao governo e prefeituras criarem políticas para o combate à marginalização e segregação das classes, criando por exemplo, mais eventos municipais públicos e livres de “camarotização”, além de criarem políticas para integração de pobres nos meios mais privilegiados, dando bolsa em colégios e universidade da rede privada e mantendo um percentual de negros empregados em bons cargos. Ademais, os cidadãos devem se manter ativos no meio político, com o intuito de cobrar uma sociedade mais harmônica e igualitária, na qual todos possam usufruir dos mesmos privilégios, sem que haja nenhuma distinção.