Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 13/05/2020
São Tomás de Aquino defendeu que todas as pessoas precisam ser tratadas com a mesma importância. Porém, a questão da segregação social contraria o ponto de vista do filósofo, uma vez que, no brasil, os grupos sociais mais pobres são vítimas de descriminações constantes. Dessa forma, observa-se que a dificuldade para adquirir uma democracia que culmine do contato entre diversas classes sociais em ambientes comuns reflete um cenário desafiador, seja pelo legado histórico, seja pela ausência do investimento em escolas públicas.
Mormente, pode-se apontar como um empecilho à consolidação de uma solução, o legado histórico da nação brasileira. De acordo com o pensamento de Claude Lévi-Strauss, só é possível interpretar adequadamente as ações coletivas por meio dos entendimentos dos eventos históricos. Nesse sentido, a segregação das classes sociais, mesmo que fortemente presente no século XXI, apresenta raízes intrínsecas ao passado brasileiro, o que dificulta ainda mais sua resolução.
Outrossim, a falta de investimentos em colégios públicos ainda é um impasse para a resolução da problemática. Segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, a taxa de investimento no Brasil, somando setores público e privado, está no seu menor nível dos últimos 50 anos. No entanto, para agir sobre problemas coletivos, como a questão da desigualdade social, é preciso investimento massivo. Como há uma lacuna financeira no que tange ao problema, sua erradicação tem sido complicada.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver esse cenário. Faz-se necessário, pois, que o Ministério Público Federal e o Tribunal de contas da União devem fiscalizar o destino dos investimentos brasileiros, a fim de remanejá-los a áreas que mais necessitam. Para que tal destinação seja coerente com a realidade brasileira, estes órgãos podem criar consultas públicas, nas quais a população interaja e aponte questões como a da caótica separação entre as classes sociais e a falta de uma correta democracia, que precisam ser resolvidas com urgência. Em suma, é preciso que se aja agora, pois, como constatou Anne Frank: “Que maravilha é ninguém precisar esperar um único momento para melhorar o mundo.”