Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
A produção cinematográfica “Casa Grande” narra a história de Jean, um jovem rico que se encontra à beira da falência e decide reduzir alguns luxos. Assim, Jean passa a utilizar o transporte público e o convívio com pessoas externas ao seu grupo social o faz perceber como o pertencimento a uma determinada classe social influi nos hábitos e cotidiano de um indivíduo. Analogamente ao retratado na narrativa ficcional, hodiernamente, a desigualdade de renda é um fator predominante no Brasil, sendo responsável por um dos maiores imbróglio do século XXI: a segregação das classes sociais. Nesse sentido, convém o emprego de um olhar crítico de enfrentamento acerca do impasse.
A princípio, ao realizar uma análise diacrônica e sincrônica acerca do tema, verifica-se que a apartação de classes está intimamente relacionada com a desigualdade de renda, ambas possuindo raízes históricas no contexto nacional. A esse respeito, a antropóloga e professora da Universidade de Oxford, Rosana Pinheiro-Machado, afirma que, desde a sua colonização, a sociedade nacional foi condicionado de forma a valorizar a distinção entre os indivíduos, buscando, assim, formas de segregá-los e separá-los. Todavia, ocorre que, no presente, resquícios desse pensamento segregacionista ainda se encontram presentes no tecido social, manifestando-se através da “Camarotização” - fenômeno social em que o acesso a determinados ambientes está condicionado ao pertencimento a classes sociais específicas.
De outra parte, nota-se que a inércia estatal frente a situação colabora para a perpetuação da problemática na nação tupiniquim. Consoante o filósofo contratualista John Locke, é dever da União - através do Contrato Social - garantir que todos os seus cidadãos possuam iguais condições de vida e desenvolvimento. Entretanto, os escassos investimentos federais em setores essenciais - tais como: educação e transporte - rompe com esse ideal e faz com que hajam desiguais possibilidades de desenvolvimento entre os indivíduos, uma vez que aqueles mais abastados possuem melhores chances de prosperar econômica e socialmente. Dessa forma, o Estado acaba por contribuir com a existência de diferentes condições de vida e, por conseguinte, para a ocorrência da segregação de classes sociais.
É evidente, portanto, a necessidade de mitigar o revés no Brasil. Destarte, cabe ao Estado, em conjunto com empresas privadas, a elaboração de programas que vise ofertar oportunidades de emprego para a população mais carente. Dessa forma, a discrepância de renda será atenuada e não mais impulsionará a segregação social. Cabe, ainda, ao Ministério da Educação, um maior investimento nas escolas públicas, para que através do ensino de qualidade, os indivíduos possam modificar o panorama nacional. Afinal, como dito por Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele.
É EVIDENTE, PORTANTO, A NECESSIDADE DE POLÍTICAS QUE MODIFIQUEM O CENÁRIO NACIONAL. DESTARTE, CABE AO ESTADO, DESTINAR UMA MIOR QUANTIDADE DE INVESTIMENTOS PARA SETORES BÁSICOS DA SOCIEDADE COMO EDUCAÇÃO E SAÚDE, PARA QUE ASSIM, TODOS OS INVIDÍVIDUOS RECEBAM AS DEVIDAS CONDIÇÕES SOCIAIS PARA CRESCER E DESENVOLVER-SE SOCIALMENTE. ASSIM, MITIGANDO A EXISTÊNCIA DE DESIGUALDE DE RENDA, DEIXARÁ DE EXISTIR AS CLASSES SOCIAIS. CABE, AINDA, AO ESTADO, EM CONJUNTO COM EMPRESAS PRIVADAS, O DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS QUE VISEM OFERTAR EMPREGOS PARA AS POPULAÇÕES DE BAIXA RENDA E QUE ESTÃO DESEMPREGADOS