Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
Segundo os Boletins Epidemiológicos do Ministério da Saúde do Brasil, na pandemia de Coronavírus, o foco inicial foi os bairros com população de maior poder aquisitivo. Apesar de essas áreas serem o núcleo, com maior número de pessoas contaminadas, nos bairros menos favorecidos ocorrem mais mortes, destacando a clara segregação das classes sociais no Brasil. Similar a isso, diversas áreas da sociedade compartilham dessa mesma característica: ricos e pobres afastados. Esse distanciamento advém de um pensamento segregacionista, no qual indivíduos de poderes aquisitivos distintos não podem ocupar a mesma área, e a ideia errônea de que os serviços públicos são apenas para quem não pode pagar por assistência melhor.
Em primeira análise, o pensamento segregacionista atual, mais conhecido como ‘’camarotização’’, é reproduzido com maior freqüência nos últimos anos na sociedade. Isso é o que afirma Michael Sandel, filósofo político norte-americano. Ele relata que se tornou mais comum áreas distintas para pessoas de classes diferentes em ambientes na sociedade, como estádios, shows, entre outros lugares. Essa segregação dificulta, e até mesmo impossibilita, a relação entre pessoas de condições socioeconômicas dessemelhantes, haja vista que sem a aproximação entre indivíduos de pensamentos e poderes aquisitivos distintos, dificilmente o respeito permanecerá na sociedade. Desse modo, a ‘’camarotização’’ prejudica a convivência e o bem-estar coletivo.
Em segunda análise, é comum observar que os serviços públicos são desfrutados por cidadãos que não têm condição de pagar por um atendimento melhor. Dificilmente observa- se indivíduos de classes mais favorecidas usufruírem do Sistema Único de Saúde (SUS), por exemplo, ou de praças públicas. Eles geralmente utilizam serviços hospitalares particulares e áreas de lazer restritas ao restante da população.Isso evidencia a segregação, pois pessoas de classes divergentes desfrutam de áreas distintas, dificultando que os cidadãos compartilhem de uma vida comum,lidando com as divergentes condições sócio-econômicas e gerando o bem-estar social. Assim,a não utilização dos serviços públicos pelas famílias de maior poder aquisitivo dificulta o bem comum e o convívio entre as pessoas.
Dessa forma, medidas exequíveis são necessárias para conter essa problemática na sociedade. Dessarte, é preciso que o Ministério da Cultura, em parceria com o Tribunal de Contas, promova benefícios econômicos a empresários que retirarem ambientes diferentes destinados aos cidadãos de classes econômicas distintas. Além disso, O Ministério da Justiça deve proibir a existência desse tipo de área em estádios e outros lugares públicos de lazer, para mitigar a segregação de camadas sociais. Dessa forma,a ‘’camarotização’’ apresentada por Michael Sandel tornar-se-á menos evidente no Brasil.