Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
Dois mundos em um só espaço
A segregação social, isto é, a separação da população baseada na renda familiar, é algo que está cada vez mais explícito no Brasil. Outrora, na Idade Antiga, o Egito era um país que não possuía mobilidade social, ou seja, uma sociedade estamental, onde todos sempre terminavam suas vidas com as mesmas condições sociais de quando a iniciou. Paralelamente, este distanciamento das classes sociais contribui para a retrogradação da nossa sociedade contemporânea para a sociedade com mobilidade estagnada. A falta de estruturação dos serviços públicos, agregado à despreocupação com o complexo de inferioridade, são elementos que favorecem o aumento deste isolamento.
A priori, os serviços públicos deveriam ser prioridade do Estado, pois suprem a necessidade da maioria da população que depende deles. Em contrapartida, o rapper brasileiro Funkero diz: “Ninguém incentiva um favelado a ler, escrever. Nós já nascemos preparados para morrer”, deixando inteligível o descaso com a educação pública, que por conseguinte, provoca um ciclo vicioso onde os menos afortunados não tem o mesmo acesso a educação e oportunidades que os mais afortunados, e como resultado, a mobilidade fica cada vez mais inviável para a população mais carente. Além disso, serviços públicos como transporte, saúde e lazer, não tem a mesma eficiência e conforto que serviços privados, e consequentemente, contribui para o distanciamento de ricos e pobres.
Ademais, desde as primeiras civilizações, as pirâmides sociais eram sustentadas pela grande parte da população de menor renda. Na Mesopotâmia, por exemplo, os camponeses e artesãos formavam a base econômica, similarmente, hoje esta base é formada pela classe de baixa e média renda, sendo o sustentáculo para quem está no topo da pirâmide. Desse modo, ocorre o que o músico Chico Science, retratava em suas letras, “o de cima sobe e o de baixo desce”, intensificando ainda mais a desigualdade social e a repercussão e discussão sobre este problema é insuficiente, mesmo que esteja na parte majoritária da população
Portanto, os problemas da segregação social no país deve ser analisada com eficácia pelo Estado. Impende ao governo brasileiro, direcionar verbas para os Ministérios que cuidam dos serviços públicos de mais urgência, como o Ministério da Infraestrutura e o Ministério da Educação, a fim de aumentar a estrutura destes serviços tecnologicamente, para que possa surgir mais oportunidades destes cidadãos de baixa renda obter coisas que, muitas vezes, não sabem da existência. Com a condição do setor público semelhante ao setor privado, facilitaria a denominada mobilidade social, e por consequência reduziria a desigualdade e a segregação social.