Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 14/05/2020

Consoante a visão Marxista a história da sociedade é a história da luta de classes, de modo que, com o surgimento da corrente Iluminista as ideias do sistema capitalista ascendem com a burguesia, dividindo a sociedade entre explorados e exploradores. Essa divisão da sociedade gera desigualdade, de modo que tenham-se as populações de baixa renda da sociedade impedidas de usufruir de seus direitos. Tal segregação apresenta-se, por sua vez como um grande problema da sociedade brasileira vinculada a uma herança histórica, que perpetuou os ideais de superioridade da burguesia, e à elitização de posições, respaldada na ineficácia do Estado.

Mormente, a exploração portuguesa trouxe um dos primeiros fenômenos de segregação do país: a expulsão dos indígenas “sertão” adentro. Este processo se desenrolou através de toda história nacional, mesmo após a emancipação da metrópole, visto que, a modernização e industrialização foram grandes responsáveis pela desapropriação das camadas populares dos centros urbanos, criando aglomerados subnormais carentes em serviços básicos. Não obstante, essa dinâmica urbana é atenuada em grandes cidades, como em São Paulo. A exemplo, a obra literária “Quarto de despejo” deixa nítida a relação estabelecida na sociedade, configurando um afastamento das classes populares que são marginalizadas e criando um ideal de inferioridade desse grupo.

Destarte, a globalização ao trazer a metrópole um sistema capitalista gera uma elitização dos espaços. Hodiernamente, é convencionado que o que é público é ruim e pertence aos comuns, de modo que somente o dinheiro traria coisas boas para a vida das pessoas. Esse pensamento é pautado do descaso do Estado para com espaços públicos, enquanto o setor privado investe na “camarotização” da elite, que goza do bem-estar em seu complexo de superioridade. Em conformidade, tem-se o filme Parasita, no qual a separação entre ricos e pobres é nítida, de modo que vivem, trabalham e consomem diferentes coisas em locais totalmente diferentes, e que mesmo morando na mesma cidade, uma simples chuva, pode ter significados totalmente distintos.

Impede, portanto, que a realidade da segregação compromete toda a sociedade, pois os interesses da elite prevalecem e acarretam mais exclusão. Outrossim, torna-se necessário a realização de uma reforma agrária pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária) para realocação de famílias em residências precárias. Ademais, é imprescindível que o Estado realize investimentos em todo o setor público, realizando melhorias nas estruturas já existente e criando novas, que permitam que a população excluída possa se fazer presente e usufruir de todos os setores da comunidade. Dessa forma, os marginalizados exerceriam de fato sua cidadania em uma sociedade democrática.