Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 15/05/2020
Na obra “Utopia” de Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na sociedade contemporânea vai de encontro a esse ideal, uma vez que, a segregação das classes sociais dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico denigre a democracia e fere o conceito de igualdade que por sua vez ocorre tanto devido ao aumento da “mais valia” quanto à discriminação do mercado de trabalho. Nessa perspectiva, convém discutir tais aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.
É importante pontuar, de início, que a diferença econômica entre empregados e empregadores é um agravante na questão da estratificação. De acordo com os dados do FMI (Fundo Monetário Internacional) o Brasil é 8ª maior economia mundial pela referência de seu PIB. No entanto, a alta produtividade não necessariamente eleva os postos de trabalho, tampouco os salários, tornando notório que a disparidade econômica cresce como aponta o aumento no Índice de Gini – principal indicador de concentração de renda- pelo relatório do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) em 2018. Desse modo constata-se que a concentração de renda aumenta num contexto em que há a elevação de lucros dos empresários pelo incremento de produção e que se achatam os salários pela baixa nos postos de trabalho o que contribui para segregar ricos cada vez mais ricos e pobres ainda mais pobres.
É fundamental pontuar, ainda, que a discriminação do mercado de trabalho é um fator que contribui para esta problemática. Isto ocorre também em função do local de moradia dos trabalhadores. Conforme pesquisa realizada pelo IUPERJ no RJ, os profissionais que moram em favelas ganham até 30% a menos que os que moram fora dela. Comprovando que os próprios empregadores fazem distinção pelas condições de vida limitadas das pessoas. Por conseguinte, a expectativa de crescimento econômico e a melhora na qualidade de vida do trabalhador decresce.
Dessa forma, é possível perceber que a disparidade econômica é fator fundamental responsável pela não homogeneização das classes sociais. É preciso que o Ministério do Trabalho crie e faça cumprir em conjunto com os Sindicatos uma lei que limite a diferença entre os maiores e os menores salários como ocorre em países como Finlândia atualmente. Além disso, é preciso que haja o reajuste fiscal que possibilite menores encargos trabalhistas aos empregadores para que incentive a empregabilidade. Assim, será possível uma sociedade mais igualitária e democrática e menos segregada.