Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e de problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que a segregação das classes sociais é uma barreira, a qual dificulta a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanta da falta de ações governamentais, quanto do individualismo presente na sociedade atual. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim de um pleno funcionamento da sociedade.
Em primeiro plano, é necessário enfatizar que a segregação das classes no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável para garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre. Devido à falta de atuação das autoridades, parques, praças e os transportes públicos são, majoritariamente, frequentados por classes médias e baixas, e isso faz com que esses ambientes se tornem envoltos de preconceitos pelas classes superiores. Desse modo, faz-se necessário a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Em segundo plano, é importante ressaltar também o individualismo como promotor do problema. De acordo com Zygmunt Bauman, o indivíduo da Modernidade Líquida é individualista e autocentrado, logo, não se importa com o que ocorre ao seu redor. Partindo desse pressuposto, as pessoas de classes mais altas naturalizam a segregação, a praticam e a compartilham, fazendo com que espaços que deveriam ser frequentados por todas as classes sociais, como estádios de futebol, se tornem espaços glamourizados e destinados apenas à classe alta. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que o individualismo contribui para a perpetuação desse problema.
Assim, medidas são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Desse modo, cabe ao Estado, por meio de realização de projetos, com o auxílio da Secretaria de Cultura, que enfatizem a importância da diversidade cultural de diferentes classes. Essa ação será realizada por meio de palestras, no meio físico e cibernético, com antropólogos e psicólogos, os quais irão debater as evidências da segregação de classes no Brasil e suas consequências na vida dos indivíduos. Tal conduta terá como intuito promover a criticidade da população e garantir, em médio e longo prazo, a Utopia de More.