Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 14/05/2020
A verdadeira segregação de classes sociais
Companhias aéreas, boates e estádios são acusados de segregar classes sociais pela mídia tradicional graças ao fenômeno da camarotização de seus espaços. Porém, quando se analisa as classes sociais, principalmente as miseráveis, percebe-se que o surgimento de camarotes é um problema irrelevante perante a verdadeira segregação: o estamento das classes. Cabe uma análise dos motivos para a persistência da pobreza no Brasil.
Segundo o IBGE cerca de onze milhões de brasileiros moram em favelas. Essas pessoas, por não poderem abrir conta bancaria, poupança e nem conseguir empréstimos, ficam impossibilitadas de mudar-se para locais mais seguros e trabalhar em empregos formais. Isso acontece pois essas não possuem título de propriedade sobre suas moradias, o que segundo a ética de Jonh Locke constitui uma violação do direito natural de propriedade. Se alguém mora e cuida de um espaço, pela primeira apropriação, deveriam ter suas propriedades reconhecidas pelo Estado.
Não obstante, o mesmo estado tributa produtos de consumo, o que é letal para classes sociais pobres, que por ganharem pouco sofrem desproporcionalmente mais com esse imposto do que classes privilegiadas. Além disso, por morarem em locais de atuação de governos paralelos, aqueles, não recebem de volta seus impostos em serviços essenciais como o resto da população, ficando a merce da alta criminalidade e péssimas condições sanitárias. É preciso que algo seja feito para equalizar os direitos das classes menos favorecidas.
Dada elucubração pretérita, a mídia tradicional deveria focar-se em pressionar políticos e governantes a tornarem a máquina pública algo mais do que uma perpetuadora de desigualdades. Fornecer título de propriedade a moradores de favelas, bem como mudar o sistema de tributação, retirando o imposto sobre consumo e reformulando o imposto de renda, assim podendo de uma forma igualitária distribuir seus serviços essenciais. Apenas medidas radicais poderão acabar com o estamento das classes sociais e reduzir a desigualdade no Brasil.