Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
“Todos iguais, mas uns mais iguais que os outros” o refrão da música “Ninguém é igual a ninguém” da banda Engenheiros do Hawaii reflete as diferenças sociais no Brasil. Na constituição todos são iguais perante a lei, mas é fácil ver as diferenças nos modos de aplicação ou omissão. A segregação das classes sociais no país separa tratamentos e oportunidades de educação, trabalho, moradia e até de convívio. É imprescindível diagnosticar as divergências alarmantes e buscar alternativas de resolução desse complexo problema.
A princípio, como base da construção de toda sociedade, é necessário avaliar as situações de educação. As escolas públicas, em sua maioria, têm poucos recursos, possuem diversos problemas estruturais, de gestão e desvalorização de professores. A instituição deficitária é uma das causas da alta evasão escolar no Brasil. A situação causa um efeito dominó, a peça da educação cai sobre a do trabalho. Os jovens que tiveram seu conhecimento limitado, quando no mercado de trabalho possuem poucas opções. Empregos com exaustivas horas de trabalho, baixa remuneração e muitos sem vínculo empregatício. Esses trabalhadores são muitas vezes desumanizados, as entrada dos fundos e elevadores separados de serviço é um exemplo da invisibilidade e segregação que a classe das empregadas domésticas sofrem.
Além do sustento da casa, há também os problemas da moradia em si. Construções em locais de risco, edificação perigosa e deficiência de saneamento básico. A vida nessas condições fere a dignidade humana, o domínio à própria vida e a superação. As casas são construídas a margem da cidade, então, fisicamente, a classe é separada das demais. O distanciamento e as condições precárias tornam-se lutas solitárias de sobrevivência. O homem, o animal social de Karl Marx, isola parte da sociedade por se sentir melhor e forma grupos gregários específicos.
Diante do exposto, é urgente a atenuação dessas discrepâncias. Para isso, é importante que o Ministério da Educação juntamente com a direção das escolas desenvolva aulas informativas para os alunos, com debates construtivos afim de mostrar a importância da integração de todos na sociedade. O Governo Estadual ou Municipal precisa, também, aliado ao Ministério de Desenvolvimento Regional e Ministério da Economia, com a participação das empresas de construção civil, edificar casas com estruturas seguras e saneamento básico em locais mais adequados para a dignidade humana daqueles que necessitam. Dessa forma, como é previsto no artigo 5 da Constituição a igualdade perante a lei, cabe ao poder público e a coletividade assegurar a inviolabilidade desse direito.