Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

O livro “Rebel”, da escritora Marie Lu, retrata um futuro distópico em que o continente da Antártida é divido entre os Andares do Céu, composto pela elite, e a Cidade Inferior, onde moram as pessoas na linha da pobreza. A medida que os habitantes executam determinadas ações, eles podem aumentar ou diminuir seus níveis socioeconômicos. Fora da ficção, a segregação de classes no Brasil é uma realidade. Tal conjuntura se dá por diversos fatores, dentre os quais destacam-se o preconceito racial e o social. Desse modo, é urgente a reversibilidade do cenário em questão.

Primordialmente, o Brasil foi o último país da América a abolir a escravidão e as sequelas deixadas pelo período escravista têm se mostrado cada vez mais evidentes, em um país que tem cerca de 55% de sua população composta por pretos e pardos. No entanto, é justamente esse grupo que engloba as maiores taxas de analfabetismo, desemprego, baixa escolaridade e vítimas de violência. De acordo com dados do IBGE, no ano de 2017, as mulheres pretas ou pardas receberam menos da metade dos salários de homens brancos, que estão no topo da hierarquia de remuneração do país.

Não obstante, um estudo revela que após a crise econômica que atingiu o país nos últimos anos, principalmente, entre 2015 e 2016, 10% dos mais ricos tiveram um aumento de aproximadamente 3,3% em suas rendas, em contrapartida, houve uma queda de 20% na renda dos mais pobres. Outrossim, as buscas por emprego sofreram um aumento, cada vez mais pessoas procuram se reintegrar ao mercado de trabalho. No entanto, a falta de oportunidades e, em alguns casos, o olhar de prepotência diante daqueles que mais precisam, tornaram-se características de uma sociedade dividida entre aqueles que têm e usufruem de seus privilégios e os que buscam ao menos conseguirem se alimentar no dia seguinte.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. O Ministério Público deve intervir buscando melhores condições para as classes mais baixas e, consequentemente, mais prejudicada. Além disso, também deve garantir os seus direitos perante à lei, como forma de reverter as injustiças as quais são submetidos. Ademais, é essencial que se tenha maior integração política, com o objetivo de assegurar suas reivindicações, dando destaque para que suas vozes sejam ouvidas e tratadas de forma igualitária, independente da sua posição socioeconômica.