Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 15/05/2020

“Em 1948, quando começaram a demolir as casas térreas para construir os edifícios,nós, os pobres, fomos despejados(…)a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos”. Carolina Maria De Jesus. Como visto no trecho citado, a classe popular é vista com desprezo, sendo subjugada e excluída em lugares culturais como um estádio por meio da divisão de camarote e lugar comum. Portanto, é cabível afirmar que a segregação de classes no Brasil é um problema real que deve ser resolvido.

Como dito anteriormente a separação de classes é fortemente percebida em espaços públicos. Um exemplo claro são os estádios para jogos, em que, os assentos são divididos de acordo com a proximidade do evento (camarote, VIP entre outros) e, consequentemente os “melhores” lugares são ligeiramente mais caros do que os outros. Então, as pessoas de uma classe mais popular, em sua maioria, comprariam cadeiras mais afastadas do evento enquanto as classes mais abastadas ficariam mais na frente. O fato apresentado pode ser entendido como o fenômeno da “camarotização”, que é muito comum no Brasil onde é evidenciado a divisão física das classes sociais. Logo pode-se deduzir que, a ocupação espacial de um lugar pública comprova a segregação das classes.

Como consequência desse fato, criam-se locais “específicos” para cada classe social os categorizando como lugares de elite e do “povo”. Com isso, vem o preconceito e a exclusão que ocorre mais precisamente quando uma pessoa de classe popular visita um lugar de “prestígio” e recebe olhares julgadores pois, não possui o padrão daquele local sendo então um “estranho”. Esse caso pode ser explicado pelo princípio da violência simbólica, do sociólogo Bourdieu, que afirma que as pessoas aceitam a exclusão que elas sofrem como um ato normal pois isso já se tornou intrínseco a elas. Portanto a segregação espacial traz consigo o preconceito e a divergência entre as classes.

Portanto, medidas são necessárias para resolver o impasse. Os governos, em parceria com os ministérios das cidades, devem facilitar o acesso de todos à todos os lugares públicos, por meio de um projeto de lei que viabilize a entrada, ou venda de ingressos em alguns casos, para lugares considerados eruditos. Dessa forma democratizando e combatendo a segregação espacial das classes em lugares sociais.