Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
Durante a Idade Média, o feudalismo foi o modo de organização social vigente no território europeu. A partir de um sistema de relações servis, este regime dividiu a sociedade em três camadas estamentais: o clero, a nobreza e os servos, impossibilitando, assim, a coletividade. No Brasil hodierno, é correto afirmar que os princípios feudais estão presentes indiretamente no curso do corpo social, uma vez que a “camarotização” de espaços comuns, bem como nas dependências de um feudo, fomenta a segregação de classes sociais. Esse panorama, lamentavelmente, é fruto tanto do baixo orçamento direcionado ao serviço público, quanto das concepções históricas enraizadas. Frente a isso, torna-se a necessária a discussão a respeito do óbice.
Mormente, é fulcral ressaltar que a “camarotização” de serviços básicos e essenciais deriva do precário investimento dos órgãos públicos. Isso porque, de acordo com o filósofo inglês Thomas Hobbes, o Estado é incumbido de assegurar o bem-estar populacional, todavia, tal ideologia sociopolítica não é aplicada no Brasil. Diante do imbróglio, é fato que quando a Gestão Pública não oferece qualidade nos serviços disponibilizados, a população busca outras formas de usufruir de tais necessidades, optando, então, por prestadores privados. Em face do exposto, faz-se mister a reformulação desse posicionamento estatal.
Outrossim, é irrefragável que as questões históricas estão intrinsicamente ligadas às divisões de classes sociais no Brasil. Desde o período colonial, a sociedade oligárquica construída pelos colonos corrobora com a segregação de pessoas e perdura na atualidade. Sendo assim, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 60% das famílias brasileiras sobrevivem com até dois salários-mínimos, enquanto 1% desfruta de remunerações exorbitantes. Desta forma, evidencia-se a má distribuição de renda e afastamento das diferentes realidades no país.
É mister, em suma, que medidas factíveis são necessárias para amainar o impasse. A fim de aproximar as classes sociais e minimizar a “camarotização”, urge que o Ministério da Economia efetive a democratização do acesso aos bens públicos, pela atribuição de preços acessíveis, integrando, assim, as populações mais carentes. Ademais, é indispensável que o Ministério da Educação (MEC) promova a educação financeira gratuita, por meio de aulas didáticas, para que a família organize a renda mensal. Desse modo, mitigar-se-á, o impacto da segregação social, e a coletividade brasileira atual deixará de caminhar com concepções feudais do passado.