Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

A crônica “Viver sem medo” do renomado autor Rubem Alves descreve a formação de condomínios e edifícios no espaço urbano, os quais têm o objetivo de garantir a segurança máxima da classe com indivíduos com maior poder aquisitivo. Nesse sentido, o isolamento do grupo privilegiado através de condomínios e edifícios está presente em todo território brasileiro, visto que a construção âmbito citadina foi acompanhada de um baixo investimento na infraestrutura e na redução da desigualdade, o que resultou na separação de ricos afastados de ambiente considerado inferior e violento, e de desfavorecidos economicamente marginalizados e desassistidos. Diante do exposto, não há duvidas, a segregação das classes sociais no Brasil é uma realidade lamentável, o qual ocorre em razão da negligência governamental e gera sérias consequências.

Primeiramente, é válido destacar que o descaso do Estado em relação à segregação socioespacial é inaceitável. Nesse contexto, o Poder Público não investe em projetos para garantir a diminuição da desigualdade social de grupos mais oprimidos e estes acabam a residirem em áreas mais baratas e menos acessíveis aos grandes centros econômicos, formando as favelas, cortiços e habitações irregu-lares, as quais não possuem infraestrutura adequada, saneamento básico, pavimentação e espaço de lazer. Enquanto isso,  a classe mais rica se autossegrega em grandes condomínios residenciais luxuo-sos para afastar-se do inchamento das cidades, passando a residir em locais mais tranquilos e afasta-dos. Nessa perspectiva, tais disparidades comprovam que, apesar do Brasil ser considerado um regi-me democrático, a visualização do funcionamento de uma Plutocracia, a qual é um sistema político em que o poder é exercido pelo grupo mais rico e é acompanhada de profunda desigualdade de renda.

Defronte dessa conjuntura, as consequências são imensuráveis. Assim, a exorbitante desigualdade so-cial vigente nas áreas marginalizadas causa miséria, desemprego, fome, moradia inadequada, baixa escolaridade, violência e criminalidade. Dessa forma, a canção " O Meu Guri" de Chico Buarque retrata o relato de uma inocente mãe da periferia sobre o seu filho que acabou no mundo crime para ter melhores condições de vida e, finalmente, “chegar lá”. Tristemente, tal canção é similar a realidade de muitos jovens de bairros marginalizados que possuem a criminalidade como única opção para ter conforto e bem-estar, mas acabam por sucumbir, igual “o meu guri”.

Portanto,é necessário medida urgente. Nesse caso,O Ministério da Economia, o qual é liderado por Paulo Guedes, deve implementar políticas públicas para reduzir as desigualdades urbanas,por meio de reforma do sistema tributário,taxação de riquezas e distribuição de renda,com o objetivo de que os mais pobres consigam ter acesso a melhores moradias, diminuição do crime e interação entre as classes. ..socis