Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 16/05/2020

A vinda da corte portuguesa ao Brasil, no início do século XIX, trouxe um novo estilo de vida repleto de requintes e de luxo. Não obstante, apenas eles próprios e aqueles detentores de títulos tinham acesso à sofisticação. A partir desse panorama,a sociedade brasileira, já bastante atormentada pelas mazelas da escravidão, viu-se novamente segregada entre classes sociais. Dessa maneira, infere-se que a separação de estamentos gera distinções em uma sociedade como a brasileira, essencialmente mestiça.

De início, é importante ressaltar que segundo Karl Marx, a sociedade é condicionada pelo seu modo de produção. Desse modo, no capitalismo, as relações são postas entre a classe dominante e a dominada. Tal perspectiva, no entanto, revela uma crescente noção de diferenciação em detrimento da premissa de igualdade, contrariando a democracia. Nesse sentido, eclode a desigualdade socioeconômica, a qual é um problema crônico ao Brasil.

Ainda é válido pontuar que, à medida que a desigualdade corrói espaços ocupados, majoritariamente pela população de baixa renda, o isolamento dos mais ricos em ambientes exclusivos ascende. Como consequência, essa realidade propicia o desenvolvimento de discrepâncias entre os espaços urbanos. Tal fenômeno da camarotização, ou seja, a segmentação física entre classes sociais, é encontrada no ensino brasileiro. Nesse contexto, as escolas as quais têm boa qualidade de ensino, geralmente as privadas, ficam predominantes àqueles que possuem condições para pagá-las. Em contrapartida, as escolas públicas por não terem tal vantagem, não possuem muitos alunos ricos.

Logo, ao Governo Federal cabe compor mecanismos que atenuem os contrastes sociais. A educação é um desses mecanismos, pois ela unifica e dá oportunidades a todos. Porém, o Estado tem de implantar o ensino em período integral e incluir crianças na rede de ensino, de modo que possuam condições adequadas de aprendizado. A partir disso, a população aprenderá a conviver uma vida comum sem distinções. Afinal, o Brasil é uma nação miscigenada, portanto, está em sua essência conviver com as diferenças.