Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 16/05/2020
Em uma das cenas do famoso filme americano “O preço do amanhã”, é retratada a distinção de classes sociais, dividindo pessoas por bairros e até cidades, de acordo com suas “horas de vida”, metáfora que se refere ao dinheiro. De maneira análoga, no hodierno cenário brasileiro, nota-se uma crescente segregação das classes sociais, na qual ricos e pobres não desfrutam das mesmas áreas de lazer, saúde e acesso à educação de qualidade. Nesse cenário, a falsa sensação de democracia e a restrição de serviços emergem como empecilhos para a manutenção de uma sociedade igualitária e uma melhor qualidade de vida.
Em primeira análise, torna-se evidente que a falsa sensação de democracia é um padrão cultural que restringe progressivamente o espaço que deveria ser destinado a todos. Com efeito, o sociólogo inglês Francis Bacon afirmou, “existe pouca amizade no mundo, sobretudo de indivíduos da mesma classe”, assim, percebe-se que praças e shoppings populares não são muito frequentados pelas classes mais ricas da população, diferente de shopping centers e parques de lazer em áreas mais nobres, os quais são usufruídos normalmente pela parcela de indivíduos de classe social mais alta. Em decorrência disso, há uma perpetuação da problemática.
Nesse mesmo viés, soma-se a restrição de serviços como acesso às escolas privadas e planos de saúde com valores mais elevados para indivíduos com melhor condição financeira, gerando assim um distanciamento entre classes. Segundo pesquisas do G1 de 2019, 70% da população brasileira não tem acesso a planos de saúde privados. Em posse dessa informação, nota-se um distanciamento entre os indivíduos com padrões de vida diferentes, por muitas vezes, ocorrem preconceitos e repressões sobre os locais de frequência, pois os padrões exigidos, tais como, vestimenta e aparência são uma forma de condição exigida para permanência no lugar. Tudo isso maximiza a distância entre classes.
Diante desse panorama, antes que a segregação das classes sociais no Brasil se torne instrumento de exclusão social total, é preciso intervir. Logo, cabe ao Ministério da Educação abordar a importância dos múltiplos pontos de vista da sociedade, mediante de palestras, projetos e debates, a fim de mitigar a diferença das classes sociais e valorizar as manifestações individuais, uma vez que o convívio social implica diálogo e consenso. Além disso, faz-se necessário que o Estado amplie os estímulos à frequência a espaços que devam ser visitados por todos, por intermédio da criação de Órgãos de denúncia online e presencial para casos de preconceito ou repressão, os quais inserirão toda a esfera da população. Desse modo, o Brasil poderá vivenciar a igualdade social que não ocorre na obra cinematográfica, “O Preço do amanhã”.