Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 08/06/2020
Na obra “Guerra e Paz”, de Liev Tolsoi, é retratada a corte russa que, em meio às Guerras Napoleônicas, ostentava luxo enquanto a população em geral não tinha acesso nem mesmo aos serviços mais básicos. Dois séculos depois, no Brasil, evidencia-se o tratamento desigual, à medida que se perpetua a ideologia capitalista, fruto da classe dominante. Nesse sentido, é lastimável que haja disparidade no tratamento dos indivíduos, as vezes, unicamente devido a forma de se vestir ou agir.
No que tange à desigualdade, é fundamental destacar a perpetuação desse sistema como principal causa da diferença de tratamento. É nesse sentido que surge a ideologia, fruto da continuidade de atitudes das classes economicamente superiores, com o intuito de consolidar ações que visam a multiplicação de lucros. Esse conceito é resgatado do sociólogo alemão Karl Marx que também destacou o fetichismo de mercadoria, marcado pelo enfeitiçamento dos produtos para que os indivíduos queiram consumir cada vez mais. Dessa forma, aqueles que não conseguem acessar certo produto, ficam em destaque, é podem ficar à margem de algumas relações.
Outrossim, é essencial notar que essa consolidação provoca diferentes tratamentos em iguais locais. Sob esse prisma, nota-se a segregação das classes, principalmente no que tange à isonomia, igualdade perante as leis; e à isegoria, igualdade de direito à fala. Ainda, em uma passagem do livro “Guerra e Paz” o personagem Piotr, com título de nobreza, é levado preso e submetido à condições sub-humanas, uma vez que ele não se identificou como um nobre. Hodiernamente, isso se evidencia principalmente no direito à fala, já que uma pessoa com roupas de classe dominante possuí muito mais influência e atenção do que uma pessoa com roupas de classe inferior, algo que destaca a função da vestimenta como segregadora social.
São necessárias, portanto, medidas para evitar a disparidade de tratamento. É essencial que o Ministério da Justiça, em consonância com o Legislativo, criem penas para quem trata uma pessoa de forma desigual devido à etiqueta ou a suas roupas. Por conseguinte, é fundamental que mecanismos de denúncia sejam melhorados, como o Disque 100, responsável por receber denúncias contra os direitos humanos. A criação de um aplicativo, para denúncias, será fundamental para que haja denuncias e controle da segregação social, tão crescente no Brasil.