Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 01/12/2020
A obra “O Cortiço”, de Aluísio de Azevedo, aborda a história de uma parcela da sociedade carioca do século XIX, marcada pela miséria social e favelização. Não distante da Literatura, atualmente no Brasil a “camarotização” da sociedade, isto é, a segregação de classes e da democracia ainda é muito latente, o que configura um grave problema social. Tal latência se justifica não só pela Indústria Cultural vigente, fomo também pelas sequelas do escravismo, fatores que devem ser individualmente analisados.
A princípio, cabe destacar o papel da Indústria Cultural na “camarotização” supracitada. Para Adorno, a Indústria Cultural é uma ferramenta de reprodução dos interesses das classes dominantes e de interiorização das demais. Sob tal ótica, a negligência do Estado em ofertar uma educação pública de qualidade é responsável pela manutenção dessa Indústria, uma vez que a população é privada do desenvolvimento de uma consciência social de igualdade cultural e de classe. Consequentemente, as classes sociais mais baixas são educadas num sistema que as inferioriza, enquento as classes altae, nas escolas particulares, são educadas para se acharem superiores, o que se reflete numa vida social “camarotizada”, na qual os espaços públicos, como shoppings, restaurantes e até escolas são diferentes no que concerne aos seus usuários e frequentadores.
Ademais, vale ressaltar a influência da História escravista na segregação social e democrática. É de conhecimento geral que a formação social brasileira foi pautada na cruel exploração de escravos negros. Nesse contexto, dentre as muitas consequências desse modelo eurocentrista ainda vigente, está a segregação e o preconceito racial, responsáveis pela separação física entre classes (favelização), além dos maus tratos. Prova disso são as repercussões negativas acerca de fenômenos como os “rolezinhos”, as quais provam a filosofia de Hanna Arendt, que versa sobre a banalidade do mal e a naturalização de violências sociais, o que é de grande prejuízo para a harmonia nacional. Portanto, a “camarotização” da sociedade brasileira é um fenômeno urgente a ser combatido. Para isso, cabe ao Ministério da Educação, juntamente com as escolas, reverter os impactos da Indústria Cultural e do eurocentrismo escravista nas futuras gerações, por meio de transformações nos sistemas educacionais, as quais devem contar com melhorias na infraestrutura das escolas públicas -como reformas gerais, construção de bibliotecas e salas de aula modernas-, além de mudanças nas abordagens hisóricas de grupos sociais como indígenas e africanos. Isso deve ocorrer com a inserção de obras artísticas e literárias de diferentes culturas nas grades de aprendizado, além da oferta de aulas dinâmicas e completas em valorização cultural igualitária, a fim de que as próximas gerações sejam menos afetadas pela “camarotização” social e possam desfrutar da incrível diversidade cultural brasileira.