Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 27/04/2022
Manoel de Barros, poeta pós-modernista, desenvolveu em suas obras uma “teologia do traste”, cuja principal característica reside em dar valor às situações frequentemente ignoradas. Sob o viés barrosiano, é necessário discutir sobre a segregação das classes sociais no Brasil, já que a negligência estatal e a reduzida discussão nas escolas são fatores agravantes desse entrave.
É relevante abordar, primeiramente, que o descaso, por parte do Estado, em investir em transportes e em escolas públicos de qualidade, por exemplo, engendra uma “camarotização” social. Nesse sentido, na percepção do estado da sociedade de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: “normal e patológico”. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com seu desenvolvimento, visto que um sistema desigual não favorece o progresso coletivo. Dessa forma, constata-se que enquanto não houver serviços públicos eficientes para contornar esse problema, a população brasileira dificilmente irá progredir.
De outra parte, vale ressaltar que a segregação das classes sociais no Brasil deve ser discutida nos debates escolares. Diante disso, é lícito referenciar o filósofo grego, Platão, que, em sua obra “Mito da Caverna”, no qual homens acorrentados numa caverna viam somente sombras na parede, acreditando, portanto, que aquilo era a realidade das coisas. Assim sendo, é notório que, em situação análoga à metáfora abordada, os brasileiros com pouco acesso ao conhecimento acerca da diminuição da “camarotização” da sociedade contribuem para esse panorama inercial.
Verifica-se, então, a necessidade de explorar métodos, os quais atenuem a segregação das classes sociais no Brasil. Para tanto, é imprescindível que o Ministério da Economia, em parceria com empresas privadas, por intermédio de incentivos fiscais, invistam em serviços públicos de qualidade, com intuito de fazer tanto a camada mais abastada, quanto a menos favorecida utilizarem esses recursos. Desse modo, espera-se a construção de uma sociedade, a qual valorize as situações frequentemente ignoradas como descreveu Manoel de Barros.