Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 21/10/2022
A partir do desembarque da família real na cidade do Rio de Janeiro, em 1808, para abrigar a corte e seus acompanhantes, a população local é obrigada a realocar-se em regiões periféricas, entre morros e residências improvisadas. Isto é, na dinâmica populacional brasileira, a marginalização social é um aspecto perceptível desde o passado. Nesse viés, é pertinente analisar os elementos que acarretam na segregação das classes sociais no país, principalmente a desigualdade da sociedade e a subjetividade humana.
Diante desse cenário, são distinguíveis as condições de disparidade que levam ao afastamento dos membros do corpo social. A dificuldade para acesso à informação e aos serviços de saúde, alimentação, segurança e lazer pelas camadas inferiores agrava ainda mais essa realidade. Observa-se que, parte da população, já consciente de seus direitos, tendencialmente procura ocupar esferas singulares visto seu poder de aquisição. Por conseguinte, a falta de aplicações governamentais, que preservem a totalidade, sustentam tal isolamento.
Outrossim, o funcionamento coletivo continuamente desintegra o valor social do cidadão, sendo um dos intensificadores para a desmembração da sociedade. Ademais, a objetificação dos indivíduos e das relações através das atividades produtivas como método de qualificá-los, torna o processo de segregação resistente. À vista disso, exemplifica-se a declaração do atual presidente Jair Messias Bolsonaro, quanto às reivindicações sociais: “As minorias se adequam ou simplesmente desaparecem”.
Em suma, tais entraves ilustram a necessidade de manutenção quanto à convivência entre as distintas classes sociais. Urge, portanto, que o Estado incentive a uniformidade populacional, a partir da criação de espaços coletivos e com disposições de serviços públicos de qualidade nos diversos setores, a fim de garantir a democracia a todos prevista constitucionalmente e a reverência pelo bem comum.