Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 01/07/2024
A transformação de uma sociedade de produção para uma sociedade de crédito trouxe uma série de mudanças sociais e económicas, alterando a estrutura das relações de classe e os conceitos de consumo individual. Nesse contexto, a camarotização da sociedade brasileira é mais uma evidência da cultura da imagem em que vivemos, na qual já existe uma distorção de valores, onde o ter é mais importante do que o ser, onde o “aparecer” é um objetivo em si.
Primeiramente, a ditadura da magreza nas passarelas de moda, na televisão e nas revistas tem um impacto direto na dieta de muitas pessoas. Além disso, com o advento da Internet, você pode encontrar milhões de dietas que prometem perda de peso “milagrosa” com apenas um clique. Assim, os cidadãos que pretendam cumprir as normas podem continuar a eliminar hidratos de carbono, gorduras, glúten e lactose da sua alimentação sem qualquer acompanhamento médico, o que afeta diretamente a sua saúde, uma vez que alguns nutrientes e substâncias são essenciais para o funcionamento normal do organismo.
As consequências desta situação socioeconómica moderna foram muito diferentes da atitude das autoridades romanas: o momento de união dos plebeus e patrícios foi celebrado no Coliseu. Na verdade, a segregação e o separatismo são efeitos de uma classe social que não está adaptada à situação. Desta forma, os danos culturais e morais para o Brasil seriam enormes, à semelhança do que aconteceu com outras sociedades como o apartheid na América do Norte. O que parece ser uma contradição é na verdade uma divisão natural que ocorre num sistema económico baseado numa cultura de imagem e numa deturpação da democracia.
Percebe-se, portanto, que o processo de camaroização da sociedade brasileira tem uma tendência exponencial à segregação das classes sociais e ao abandono da democracia. Para superar esta situação, o Estado e os indivíduos envolvidos devem agir. A primeira deve efectivamente respeitar as disposições da Constituição, porque estipula que todos são iguais e gozam dos mesmos direitos. Além disso, deve garantir que as instituições públicas cidadãs cumpram o seu papel democrático. enquanto os segundos precisavam fazer valer os seus direitos e denunciar as mudanças sociais do apartheid provocadas pela cabinização.