Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 25/06/2024

O romance filosófico “Utopia”, de Thomas Morus, idealiza uma sociedade perfeita, onde a engrenagem social funciona sem conflitos e problemas. Tal utopia se mostra distante da realidade brasileira, principalmente no que concerne à segregação das classes sociais, um problema persistente e desafiador. Esse cenário lamentável decorre não só da falta de investimento em políticas públicas eficazes, mas também da perpetuação de uma cultura de desigualdade, criando um ciclo vicioso de exclusão.

Assim, a carência de investimentos em políticas públicas eficazes deriva da ineficácia do Poder Público na criação de mecanismos que coíbam a segregação social. Sob a perspectiva do filósofo contratualista John Locke, o Estado foi criado por um pacto social para assegurar os direitos fundamentais dos indivíduos e proporcionar relações harmônicas. Entretanto, é notório o rompimento desse contrato social no cenário hodierno brasileiro, devido à baixa atuação das autoridades e a segregação social, que perpetua o ciclo de pobreza e exclusão.

Além disso, a carência de uma cultura de igualdade e respeito à diversidade apresenta-se como outro desígnio da problemática. De acordo com o sociólogo brasileiro Florestan Fernandes, a “desigualdade social” se manifesta como um “sistema de privilégios e desvantagens” que impede a ascensão social de indivíduos de classes menos favorecidas. Tal conceito é materializado no Brasil, haja vista que a segregação social se manifesta em diferentes esferas da vida, como a educação, o mercado de trabalho e o acesso à cultura, perpetuando preconceitos e estereótipos que dificultam a superação da desigualdade.

Portanto, infere-se a necessidade de mitigação dos entraves em prol da diminuição da segregação das classes sociais. Assim, cabe ao Congresso Nacional, mediante o aumento do percentual de investimento, o qual será proporcionado por uma alteração na Lei de Diretrizes Orçamentárias, ampliar o acesso à educação de qualidade para todas as classes sociais, por meio de palestras ministradas por profissionais especializados na área (como mestres e doutores em Sociologia e Educação), com o objetivo de desmistificar o preconceito e promover a inclusão social.