Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)
Enviada em 01/07/2024
Na obra “A República”, o filósofo grego Platão idealiza uma cidade livre de desordens e problemas, em que o povo trabalha em conjunto para superar todos os obstáculos. Fora da ilustre produção literária, com ênfase na sociedade brasileira contemporânea, percebe-se o oposto dos ideais de Platão, visto que a segregação de classes sociais representa um obstáculo de grandes proporções. Assim, é notório que esse cenário antagônico é fruto tanto da desigualdade econômica quanto da disparidade educacional.
Em primeira análise, é imperioso analisar a ausência de medidas governamentais para combater a desigualdade econômica. De acordo com o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direitos, porém esse preceito não é concretizado na sociedade, uma vez que o Estado não cria medidas públicas voltadas à redução das disparidades econômicas e, como consequência dessa negligência, milhões de brasileiros vivem em condições de pobreza extrema enquanto uma pequena elite detém a maior parte da riqueza. Dessa forma, fica claro que as autoridades, com urgência, precisam mudar o seu posicionamento diante do impasse.
Outrossim, é crucial explorar o efeito da disparidade educacional como outro agente influenciador do revés. De acordo com o sociólogo Pierre Bourdieu, o sistema educacional frequentemente perpetua as desigualdades sociais ao invés de mitigá-las. Diante desse pressuposto, percebe-se que a qualidade desigual da educação oferecida em escolas públicas e privadas limita as oportunidades de ascensão social para os menos favorecidos. Destarte, tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a disparidade educacional contribui para a perpetuação desse cenário caótico.
Infere-se, portanto, que é imprescindível a mitigação dos desafios para combater a segregação de classes sociais. Assim, o Ministério da Educação e o Ministério da Economia devem criar, mediante verbas governamentais, programas de redistribuição de renda e melhorias na qualidade da educação pública. Com essa ação, a sociedade brasileira poderá chegar perto das convicções platônicas e além disso, alcançar o bem-estar social.