Segregação das classes sociais no Brasil (Adaptado da FUVEST 2015)

Enviada em 29/06/2024

Na obra literária brasileira “Quarto de Despejo”, a autora Carolina Maria de Jesus relata sua vivência sendo uma mulher em situação de pobreza extrema, abordando temas como racismo, desigualdade e violência doméstica. Analogamente à autobiografia, no período hodierno, fazem-se presentes entraves parecidos com os apresentados por Carolina, uma vez que a segregação das classes sociais ainda se configura como um obstáculo na sociedade. Desse modo, para que ocorra um debate sobre tal questão, é possível pontuar dois eixos principais: A inoperância estatal e os desafios gerados por um sistema capitalista.

Em primeira instância, faz-se imprescindível a conversa sobre a relação existente entre a indiligência do Estado e a continuidade da desigualdade no Brasil. De acordo com Oscar Wilde, um escritor irlandês, a insatisfação é o primeiro passo para o progresso de um homem ou nação. Sendo assim, é evidente que o governo brasileiro não compartilha da insatisfação citada por Wilde, pois ele se recusa a tratar a segregação social com a urgência que ela demanda e ignora as consequências de suas condutas, dessa maneira, impedindo o progresso da nação.

Outrossim, também vale pontuar a contribuição do capitalismo para a perpetuação desse estorvo. Segundo o artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos, todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Entretanto, sob o funcionamento de um sistema capitalista, os indivíduos encontram-se incapazes de atingir a plena igualdade, pois são diferenciados pelo seu poder econômico e separados socialmente em diversos aspectos, sendo impossibilitados de desfrutar amplamente de seus direitos. Dessarte, é essencial que esse obstáculo seja resolvido.

Portanto, é imperativo que medidas sejam esquematizadas para a resolução da problemática. Visto isso, as prefeituras brasileiras devem diminuir a disparidade existente entre as classes sociais por meio da criação do projeto “Vida+”, que teria como objetivo a construção de escolas públicas e centros culturais e a modernização dos centros de saúde, com o intuito de aprimorar a qualidade de vida da população em situação de pobreza. Assim, certamente vivências como as de Carolina Maria de Jesus não se repetirão, em vista de um país justo e igualitário.