Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 24/10/2025
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim “O suicídio é um problema que não pertence unicamente ao indivíduo, mas à sociedade como um todo”. Porém, no contexto atual do Brasil, a inexistência de conscientização popular acerca do assunto provoca o aumento alarmante dos casos, perpetuando cada vez mais a problemática. Sendo assim, essa questão se dá devido a omissão governamental e a influência midiática.
Dessa forma, em primeiro plano, é preciso atentar para a negligência governamental em prol dos obstáculos enfrentados para compreensão social acerca do assunto. O Setembro Amarelo é uma campanha de prevenção ao suicídio que foi anunciada no Brasil em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). No entanto, apesar de iniciativas como esta, as políticas públicas podem ser ineficientes na abordagem do tema de forma contínua e abrangente. Dessa forma, a falta de acesso a tratamentos como a ausência de serviços especializados, incluindo o CAPS e outros programas de apoio, além da escassez de alcance à saúde mental acessível e de qualidade para pessoas que sofrem com problemas psíquicos, impedem a criação de uma rede de apoio eficaz em detrimento desta causa.
Além disso, a influência dos meios digitais é um fator alarmante no que tange ao problema. Pois, ao tratar o suicídio como um tema proibido ou exclusivamente privado por medo de “dar a ideia”, a mídia ajuda a perpetuar o estigma e o silêncio em torno dos transtornos mentais. Outrossim, o uso excessivo das redes sociais, a criação de um “status”, a comparação com vidas consideradas “perfeitas” e o cyberbullying, auxiliam no desenvolvimento de doenças mentais como a ansiedade e a depressão e até mesmo ampliam a vulnerabilidade de indivíduos com tendência suicida.
Portanto, o governo, orgão resposável por garantir a condição e existência de todos, deve prover mais campanhas como o Setembro Amarelo e financiar políticas e serviços especializados com o propósito voltado a pessoas vulneráveis ao suicídio. Paralelamente, os meios midiáticos precisam quebrar o estigma e a quietude, de modo a divulgar o impasse e influenciar positivamente os indivíduos.