Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil

Enviada em 26/06/2026

No filme “Ilha do Medo”, o protagonista é internado na ala psiquiátrica devido às suas alucinações e tendências autopunitivas. Ao contrário do Brasil contemporâ-neo, onde perduram os desafios na luta pela saúde mental, vê-se a necessidade de solucioná-los para garantir a conscientização social quanto à prevenção do suicídio no país. Dessa forma, observam-se duas questões: a desumanização de pessoas com doenças mentais e a exclusão relacionada a elas.

Sob essa ótica, é inegável que os indivíduos com transtornos mentais não são tra-tados com humanidade. Nesse sentido, nota-se que há receio por parte dos enfer-mos em pedir ajuda e do grupo ao seu redor de perceber quando há alguém ne-cessitado. Isso ocorre, pois as dificuldades relacionadas aos sentimentos e bem-estar são constantemente alvos de estigmas, ironizações (como dizer que a pessoa quer “chamar a atenção”) e cobranças sociais por produtividade. Por isso, os trata-mentos são desumanos e insensíveis e fornecem aos pacientes o rótulo de loucos, como foi o caso do Manicômio de Barbacena (1903-2026), o qual assassinou mais de 60 mil internados que buscavam ajuda contra as suas idealizações suicidas.

Ademais, a exclusão social mostra-se como agente crucial para o desgaste da conscientização contra o suicídio. Desse modo, vê-se a marginalização dos sujeitos emocionalmente vulneráveis, uma vez que além de serem vistos como um empe-cilho, ainda enfrentam o julgamento de suas moralidades e preferências, as quais são apontadas como suposto “real motivo” para a depressão enfrentada. Nesse contexto, traça-se um paralelo com o filme “O Jogo da Imitação”, baseado na histó-ria do matemático Alan Turing, que tirou a própria vida após ser isolado em razão de sua homossexualidade. Por esses pontos, percebe-se que a desestigmação do tema encontra limitações em âmbitos externos relacionadas à aceitação coletiva.

Portanto, urge solucionar o imbróglio. Assim, cabe ao Ministério da Saúde em con-junto com a mídia - ferramenta capaz de informar a sociedade - promover campan-has que explorem tanto formas de pedir ajuda, quanto formas de ajudar quem precisa. Essas ações devem ser feitas por meio de adoção mensal de palestras nos locais de trabalho e escolares, além da implementação de canais de ajuda virtuais. Tudo isso a fim de garantir a saúde psicológica de todos aqueles do corpo social.