Setembro Amarelo: desafios para a conscientização social quanto à prevenção ao suicídio no Brasil
Enviada em 14/09/2024
No Brasil pós moderno o autocuidado é uma atividade de luxo, visto que não é uma função lucrativa, do ponto de vista mercadológico, não obstante, a tarefa “rouba” o tempo do cidadão contemporâneo. Este pensamento é, segundo Byung Chul-Han em “A sociedade do cansaço”, fruto de valores sociais que ditam valor somente a quem produz ou gera retorno financeiro. Sob essa ótica, é evidente que quem não se adeque é rejeitado, consequentemente mais propensos ao suicídio. Desta forma, observa-se a importância de debater acerca da prevenção da automutilação e afins, de modo a quebrar preconceitos banalizados, sendo preciso, também, o aumento da Política Nacional de Prevenção ao Suicídio e Automutilação.
Primeiramente, é relevante abordar que existe um histórico tabu sobre saúde mental, sobretudo no contexto nacional, em que houve fortes políticas higienistas – exilar pessoas que apresentassem algumas doenças – em toda sua história. Somado a isso, vivencia-se no momento a superficialidade dos vínculos sociais, como teorizado por Zygmunt Bauman, sociólogo polonês. Desse modo, os excluídos, moldados por rejeição, tem que tentar se adequar em um mundo volátil, controverso e sobretudo egoísta. Gerando, assim, impossibilidade de ser ouvido ou visto, com medo de ser alguém repulsório, sem valor e invisível.
Ademais, concomitante a isso, mesmo que se reconheça a importância da prevenção com a saúde mental, ao buscar auxílio, prospera o desamparo estatal. Isso se deve, principalmente, ao processo de desmonte da Política Nacional de Saúde Mental do SUS (Sistema Único de Saúde), em que, por meio de desfinanciamento e revogações, desestruturaram o sistema de tratamento. Desde então, uma parcela agravante de quem necessita do Estado para cuidados preventivos está desnorteado, tornando o mundo fluído mais cansativo.
Portanto, torna-se evidente que esse entrave é de responsabilidade conjunta do Estado, por meio do Ministério da Saúde, e da sociedade brasileira. Logo, é necessário que o Congresso Nacional atue com investimentos em campanhas de prevenção aos suicídios, isto é, promover ações de valorização à vida em comercias nas televisões e mídias sociais, com a finalidade de elucidar a população e regredir as taxas de suicídio no país.